CDS diz que a Delta Air Lines deveria voar para as Lajes e não apenas para Ponta Delgada

CDS diz que a Delta Air Lines deveria voar para as Lajes e não apenas para Ponta Delgada

 

Lusa/AO online   Regional   18 de Jan de 2018, 16:37

O líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, entende que a companhia aérea norte-americana Delta Air Lines, que vai começar a operar em maio nos Açores, deveria voar para as Lajes, na ilha Terceira, e não apenas para Ponta Delgada.

"Não tenho dúvidas nenhumas de que foi por inação do Governo dos Açores que esses voos não vieram para a ilha Terceira", apontou o dirigente centrista, para quem a vinda chegada da companhia aérea à região se deve ao acordo da base das Lajes e a eventuais compensações que terão sido acordadas, mas não reveladas.

O deputado regional do CDS, que falava no plenário do parlamento regional, disse que atualmente "não há mercado" em Ponta Delgada que justifique uma operação semanal da Delta Air Lines entre os Estados Unidos e os Açores, como a que está a ser preparada para arrancar nos próximos meses.

"Não há mercado para um voo comercial de 1.000 pessoas por semana para Ponta Delgada. Há mercado porque há uma subsidiação paralela se o voo não tiver a ocupação desejada. Há mercado por isso e porque existe o acordo da base das Lajes", insistiu o parlamentar centrista.

O presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, destacou que a ida da Delta Air Lines para os Açores nada tem a ver com o acordo da base das Lajes e muito menos com eventuais compensações para redução do contingente norte-americano na ilha Terceira.

"Nunca, em reunião nenhuma, foi falada, colocada ou aventada a hipótese dos voos da Delta serem uma compensação pelo que quer que seja", afirmou, na sessão plenária, o chefe do executivo socialista, concluindo, por isso, que a informação avançada pelo CDS "não é correta".

Apesar disso, Paulo Estêvão, deputado do PPM, referiu que "tudo indica" que terá havido uma "interferência do Governo dos Estados Unidos" neste processo e que os voos da Delta Air Lines para os Açores estejam relacionados com as eventuais "contrapartidas" pela redução da presença norte-americana na base das Lajes.

A companhia aérea anunciou que irá começar a operar, a partir de 25 de maio deste ano, durante cinco vezes por semana, entre o aeroporto JFK, em Nova Iorque, e o aeroporto de Ponta Delgada, nos Açores, com um Boeing 757/200, com capacidade para transportar 199 passageiros.

José San-Bento, deputado do PS, realçou, porém, que, independentemente da ilha para onde a Delta Air Lines irá operar, os voos para Ponta Delgada "vão beneficiar todas as ilhas" e "todos os açorianos", e não apenas a ilha de São Miguel.

Duarte Freitas, líder parlamentar do PSD, também entende que a operação aérea "é uma boa notícia para os Açores", mas realçou que é importante, nesta fase, "melhorar também as acessibilidades à ilha Terceira", como forma de compensar a saída da ilha dos militares dos Estados Unidos.

Já João Paulo Corvelo, deputado do PCP, considera ser necessário "ter coragem política" para exigir uma compensação efetiva pela redução da presença norte-americana nas Lajes e defende a elaboração de um estudo para avaliar os "usos alternativos daquelas infraestruturas".

António Lima, do BE, criticou, por outro lado, o facto de a região estar comprometida com a futura construção, por parte dos norte-americanos, de um Centro de Segurança do Atlântico na base das Lajes, que no seu entender é "um processo ruinoso" que poderá "hipotecar" o futuro daquela infraestrutura.

O presidente do Governo Regional aproveitou o debate de urgência, proposto pelo CDS, sobre a base das Lajes para anunciar no parlamento que já está resolvido o impasse em torno da utilização de cerca de 450 casas abandonadas pelos norte-americanos na ilha Terceira, entretanto cedidas à região.

"O Governo da República respondeu já à carta que o Governo Regional havia enviado, a propósito da cedência das habitações na ilha Terceira. E é com muito gosto e com muito orgulho que vos transmito que a resposta foi positiva", adiantou Vasco Cordeiro, que assegurou, no entanto, que "nenhum projeto futuro" ficará comprometido por causa desta cedência.



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