Cavaco Silva alerta para "novos riscos" e "assimetrias económicas e sociais"


 

Lusa/AO   Economia   27 de Set de 2007, 06:11

O Presidente da República, Cavaco Silva, admite que a globalização tem gerado "crescimento económico", mas alertou que "gera novos riscos" e pode causar "novas assimetrias económicas e sociais que seria irresponsável desprezar".
O alerta é feito num artigo de opinião, publicado hoje pelo jornal Público, na véspera do segundo Conselho para a Globalização, fórum informal patrocinado pelo Presidente e parceira com a Cotec - Associação Empresarial para a Inovação, que se realiza sexta-feira, em Sintra, e reúne empresários e economistas portugueses e estrangeiros.

    "A globalização gera novos riscos e pode trazer novas assimetrias económicas e sociais que seria irresponsável desprezar. Expõe as empresas a um quadro competitivo mais agressivo e exigente", lê-se no artigo, intitulado "Abraçando o mundo no século XXI".

    Cavaco Silva, economista de formação, adverte que a "globalização não é um desafio neutro que se possa ignorar", afirmando que o "desafio global" pode ter uma resposta possível com "três palavras-chave" - inovação, competência e flexibilidade.

    A "inovação permanente", argumenta o primeiro-ministro de 1985 a 1995, é "uma exigência para todas as empresas", uma "ordem imperativa para singrarem nos mercados globais".

    "As empresas que estagnarem em torno de técnicas de produção, de métodos de organização e de gestão e de práticas comerciais do passado comprometerão inexoravelmente os seus níveis competitivos", defende Cavaco Silva.

    Além da inovação, "competir à escala global" exige competência, "capacidades e talentos para produzir, prestar serviços, optimizar recursos" e o "domínio sistemático dos mercados, das técnicas, dos métodos, dos modelos competitivos".

    A flexibilidade é, para Cavaco Silva, a terceira palavra-chave, e deve "traduzir a capacidade de resposta à evolução dos mercados, dos factores competitivos, do próprio contexto concorrencial".

    "Na era da globalização, a agilidade das respostas empresariais faz muitas vezes a diferença para o sucesso", afirma Cavaco Silva.

    Os problemas da globalização são também abordados pelo Presidente no artigo, ao defender que deve ser preservada "a igualdade de oportunidades e a coesão social": "O crescimento económico fundado na destruição social é inaceitável".

    "A globalização não deve ser um álibi para desresponsabilizar aqueles que têm o dever de assegurar as condições que garantam não só uma concorrência leal e disciplinada, (…) protegendo os segmentos mais desfavorecidos e vulneráveis e promovendo um acesso generalizado à educação, às novas tecnologias e à sociedade de informação", defende.

    Para este segundo Conselho para a Globalização, em que Cavaco Silva diz manter o mote "pensar global, agir global", espera que "a reflexão" e as experiências de líderes empresariais "das mais diversas geografias e culturas" contribua para melhorar o entendimento do fenómeno.

    O segundo Conselho para a Globalização tem três temas em debate - "Estratégias de entrada para o Século XXI", "Inovação num Mundo Global" e "Private Equity: amigo ou inimigo?" e nele participam empresários e homens de negócios de vários países da Europa, Estados Unidos, Médio Oriente e Ásia.

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