Casa Pia: Declarações de Carlos Silvino não fazem prova


 

Lusa/AO Online   Nacional   19 de Dez de 2008, 14:11

 A defesa de Manuel Abrantes no processo de pedofilia da Casa Pia de Lisboa sustentou hoje que o que foi dito em julgamento pelo principal arguido, Carlos Silvino, não pode servir de prova para nada.
 “Daquilo que é o depoimento de Carlos Silvino em tribunal não se pode extrair qualquer valor probatório”, afirmou Paulo Sá e Cunha, defensor do ex-provedor adjunto da instituição, nas suas alegações finais do julgamento que decorre no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

    Apostado em desvalorizar o testemunho do único dos sete arguidos que confessou ter abusado de jovens da Casa Pia e que implicou outros réus, o advogado de Manuel Abrantes afirmou que durante o processo Silvino “disse uma coisa e o seu contrário” por várias vezes.

    Paulo Sá e Cunha disse ainda que mesmo que o ex-motorista venha ainda a fazer declarações que possam incriminar o seu cliente, não vê razão para “ter medo” do principal arguido, afirmando: “Não temos receio nenhum da prova que possa resultar de Carlos Silvino".

    Aliás, “o seu depoimento está longe de ser uma confissão integral dos factos” e aquilo que Carlos Silvino admite ter praticado “é menos do que a pronúncia lhe atribui”, acentuou.

    Reiterando a inocência do seu cliente, o advogado deu como explicação para o facto de Abrantes ter sido constituído arguido a circunstância de “ser o homem errado, no lugar errado, à hora errada”.

    Para Sá e Cunha, quando “as coisas começaram a aquecer” em finais de 2002 com o surgimento do escândalo de pedofilia, o então provedor da Casa Pia, Luís Rebelo, foi-se embora, o provedor-adjunto Videira Barreto pediu a aposentação e foi aí que Manuel Abrantes, que ascendeu ao cargo de provedor interinamente, “ficou exposto à situação”.

    “Em finais de 2002, se Abrantes tivesse ido embora e renunciasse à aspiração de ser provedor, interrogo-me se as circunstâncias hoje seriam as mesmas”, alegou.

    Colocando em causa as acusações que lhe são imputadas, o advogado lembrou o percurso pessoal e familiar do arguido, concluindo que Manuel Abrantes tem uma orientação heterossexual, com três casamentos com funcionárias da Casa Pia e dois dos seus filhos terem frequentado a instituição desde os três anos e até entrarem para o ensino superior.

    “Não é este o perfil de um abusador de crianças da Casa Pia”, concluiu.

    Relativamente às alegações finais do Ministério Público, que deu como provados vários crimes de natureza sexual contra Abrantes, o advogado considerou que o elevado número de alterações de datas, locais e circunstâncias propostos pelo procurador não são admissíveis.

    “Não se pode estar a arrastar o julgamento desta forma”, disse Sá e Cunha, alertando para o risco dessas alterações substanciais e não substanciais dos factos poderem acarretar um novo julgamento.

    Além de Manuel Abrantes e Carlos Silvino, os restantes cinco arguidos no processo são o apresentador de televisão Carlos Cruz, o diplomata Jorge Ritto, o médico Ferreira Diniz, o advogado Hugo Marçal e Gertrudes Nunes, dona de uma casa em Elvas onde alegadamente decorreram abusos de jovens casapianos.


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