Carolina Salgado está acusada de mandar pegar fogo nos escritórios do seu ex-companheiro, Pinto da Costa, e do advogado dele, Lourenço Pinto.
O Ministério Público (MP) imputa ainda a Carolina Salgado um crime de ofensa à integridade física qualificada, na forma tentada, ao médico Fernando Póvoas.
Este julgamento pode ter a particularidade de sentar Carolina Salgado e Pinto da Costa lado a lado, no "banco dos réus", dado que o advogado da ex-namorada do presidente do FC Porto, José Dantas, confirmou ter pedido a junção de um outro processo, em que o dirigente foi pronunciado por alegada agressão.
Fonte judicial disse que o juiz aceitou a junção do processo, cujo julgamento chegou a estar marcado para o Tribunal de Gaia, mas só hoje decidirá relativamente a nulidades específicas suscitadas pela defesa de Pinto da Costa.
Em causa estão duas bofetadas alegadamente desferidas por Pinto na ex-namorada, em Março de 2006, numa altura em que procedia à retirada de bens de uma vivenda da Madalena, que ambos tinham co-habitado.
Outros apensos - cuja junção ao processo principal não suscitou quaisquer reservas - relacionam-se com o livro "Eu Carolina", em que Carolina Salgado responde por alegada difamação simples a Pinto de Costa e difamação agravada a Lourenço Pinto.
No processo principal, a acusação sustenta que Carolina Salgado convenceu Paulo Lemos, dado como seu ex-namorado, e um conhecido deste, Rui Passeira, a agredirem o médico Fernando Póvoas.
O combinado seria, de acordo com o MP, que os dois homens fizessem uma espera ao clínico, à saída do seu consultório na zona das Antas, de modo a agredirem-no com um martelo.
A acusação refere que os dois homens deslocaram-se efectivamente às imediações do escritório para consumar a agressão, em 13 de Junho de 2006, mas desistiram com receio de serem vistos.
Ainda de acordo com o MP, Paulo Lemos também aceitou uma proposta de Carolina Salgado para incendiar os escritórios de Pinto da Costa e Lourenço Pinto, bem como o escritório de um solicitador que teria à sua guarda documentos comprometedores para a ex-companheira do presidente portista.
Paulo Lemos deslocou-se aos escritórios de Pinto da Costa e Lourenço Pinto com um bidão de gasolina com o objectivo preciso de os incendiar, mas - refere a acusação - acabou apenas por provocar pequenos danos.
O advogado de Carolina Salgado já confirmou à Lusa que vai sublinhar, em julgamento, o que diz ser a falta de credibilidade desta testemunha, que, refere, "alterou três vezes o seu depoimento".
A forma como este processo foi tratado deu origem a uma investigação da Procuradoria-Geral da República à alegada parcialidade do DIAP do Porto, na sequência de uma queixa da antiga presidente do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, Amália Morgado, visando a procuradora que deduziu a acusação, Teresa Morais.
Antes disso, Amália Morgado deu uma entrevista ao Jornal de Notícias que, do ponto de vista da Procuradoria Distrital do Porto, configurava difamação agravada a Teresa Morais.
Este caso concreto está a ser julgado no Tribunal da Relação do Porto, tendo, também hoje, mais uma sessão.
Lusa/AO On line
