Campanha para eleições na Ucrânia dominada pelo populismo


 

Lusa/AO   Internacional   27 de Set de 2007, 10:17

A campanha eleitoral para as legislativas antecipadas de domingo na Ucrânia ficou marcada por uma infinidade de promessas de todas as forças políticas e por uma troca azeda de acusações mútuas.
"Esta campanha eleitoral fica marcada pelo populismo extremo", declarou à agência Lusa Alexandre Paskhover, conhecido economista ucraniano.

    "Parece mais um concurso de quem promete mais do que uma campanha eleitoral propriamente dita", frisou Paskhover. "Prometem aumentos de salários, de reformas, de subsídios, de prémios de natalidade", exemplificou.

    O Partido das Regiões, do primeiro-ministro pró-russo Victor Ianukovitch, prometeu aos funcionários públicos que assinem um contrato de trabalho com o Estado por 20 anos as chaves de um novo apartamento. "Depois de dez anos de trabalho, poderão comprá-lo por 50 por cento do preço inicial, e, depois de 20, o apartamento passa a ser propriedade do funcionário", garantiu o Partido das Regiões.

    Iúlia Timochenko, figura de destaque da Revolução Laranja - que rompeu com o Presidente depois de ter sido demitida de primeira-ministra em 2005 - e actualmente a mais forte opositora de Ianukovitch, prometeu compensar rapidamente os ucranianos que perderam as suas economias depositadas na Caixa Económica da União Soviética.

    Prometeu igualmente pôr fim ao serviço militar obrigatório até ao fim do ano e reprivatizar parte significativa das grandes empresas ucranianas privatizadas pelos oligarcas.

    "Se se mantiver a actual dinâmica económica e com o orçamento do país, os especialistas consideram que o governo precisará realmente de cerca de 50 anos para devolver as economias dos ucranianos perdidas com o fim da URSS", lembrou a propósito o jornalista ucraniano Victor Moroz.

    Estas e outras promessas aconteceram durante uma campanha em que, segundo cálculos do Comité de Eleitores da Ucrânia, dois terços da agitação política nos canais de televisão ucranianos visaram "denegrir os adversários".

    As sondagens não prometem, entretanto, grandes alterações a nível de resultados das maiores forças políticas no país: o Partido das Regiões poderá conseguir entre 34 e 35 por cento dos votos, o Bloco Iúlia Timochenko 14 a 15 por cento e o Bloco Nossa Rússia, do Presidente Iuchtchenko, cerca de 10 por cento.

    Poderão ser fundamentais os chamados "pequenos partidos" que conseguirem superar a barreira dos 3 por cento, que permite eleger deputados para a Rada (Parlamento). Entre estes estão o Partido Comunista da Ucrânia, o Partido Socialista Progressivo e o Bloco de Litvin.

    "Nenhum dos grandes partidos conseguirá uma maioria que permita formar um governo estável. Daí ser necessário organizar uma coligação. Não se pode esperar estabilidade tão cedo, enquanto não se formar um regime em que haja uma clara separação de poderes", considera o jornalista Vladimir Dolin, do canal televisivo ucraniano ICTV.

    "As eleições não mudarão nada rapidamente, pois é preciso primeiro que as principais forças políticas, os homens de negócios, cheguem a acordos fundamentais sobre as regras do jogo, sobre o futuro do país", conclui o jornalista.

    Esta é também a percepção de vários analistas que acreditam que as legislativas de domingo, as segundas num ano e meio nesta antiga república soviética, não resolverão a crise vivida no país, marcada nos últimos meses por um confronto entre o chefe de Estado e o primeiro-ministro, que resultou na dissolução do Parlamento.

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