O preço médio do cabaz de bens essenciais monitorizado na Região Autónoma dos Açores registou um aumento próximo dos 10 euros entre dezembro de 2024 e o final de 2025. Os dados do Acompanhamento e Monitorização de Preços Vigiados, da Direção Regional do Empreendedorismo e Competitividade, revelam ainda fortes assimetrias entre ilhas, tanto ao nível dos preços como da disponibilização de produtos.
Em dezembro de 2024, o preço médio do cabaz fixava-se nos 137,96 euros. Um ano depois, no 4.º trimestre de 2025, o mesmo indicador atingiu 147,15 euros, o valor mais elevado de todo o período analisado. Pelo meio, a trajetória foi maioritariamente ascendente: 1.º trimestre de 2025: 142,16 euros; 2.º trimestre de 2025: 141,51 euros; 3.º trimestre de 2025: 143,74 euros; e 4.º trimestre de 2025: 147,15 euros.
Em termos globais, o aumento ronda os 9,19 euros, confirmando uma subida gradual e persistente ao longo de 2025, apesar de pequenas oscilações intermédias. Em termos de aumento trimestral, entre o 3.º trimestre (143,74 euros) e o 4.º trimestre (147,15 euros) houve um acréscimo de 3,41 euros.
Se compararmos dezembro de 2025 com o período homólogo, os produtos que mais aumentaram de preço médio foram a alcatra de novilho (+3,68 euros), o pojadouro de novilho (+3,52 euros) e o lombo de novilho (2,80 euros). Por outro lado, o azeite (-2,59 euros) apresentou as maior descida. A recolha de dados que sustenta este relatório é feita em estabelecimentos comerciais distribuídos pelas nove ilhas dos Açores.
Diferenças por ilha e oferta incompleta em muitos casos
No 4.º trimestre de 2025, o cabaz mais caro foi registado nas Flores (170,77 euros), seguidas de Faial (146,57 euros), Santa Maria (146,35 euros), São Miguel (142,85 euros), Pico (139,11 euros), Graciosa (126,92 euros), São Jorge (118,24 euros), Terceira (103,36 euros) e Corvo (47,22 euros). Mesmo com apenas 84% de produtos disponíveis, as Flores mantiveram o valor mais elevado, evidenciando a diferença de preços no grupo ocidental.
A oferta de produtos essenciais variou significativamente entre ilhas. Apenas Faial, Santa Maria e São Miguel registaram 100% de disponibilidade. Nas restantes, a taxa ficou entre 84% e 96%, com faltas frequentes de frango inteiro, chicharro, couve portuguesa e cortes de carne.
Na ilha do Corvo, apenas 56% dos produtos estavam disponíveis. Faltavam diversos cortes de carne de novilho e suíno (lombo, alcatra, pojadouro, lombinho, perna, costeleta de cachaço), frango inteiro fresco, chicharro, ovos L, couve portuguesa, cenoura, maçã e pêra.
Comparação com as outras fases do ano na região
Ao comparar a disponibilidade de produtos ao longo de 2025, observa-se que as ilhas menores, como Corvo, Flores e São Jorge, mantiveram níveis consistentes de falta de produtos essenciais em todos os trimestres. Enquanto ilhas como Faial, Santa Maria e São Miguel apresentaram sempre 100% de oferta, as restantes ilhas registaram entre 84% e 96%, com pequenas variações entre trimestres.
Em dezembro de 2024, a situação era semelhante. Corvo tinha apenas 60% de produtos disponíveis, eFlores 92%, enquanto ilhas como Faial, São Miguel e Terceira mantinham oferta integral ou quase total. Estes dados mostram que a escassez estrutural é recorrente, afetando sobretudo as ilhas mais isoladas e reforçando desigualdades no acesso a bens essenciais dentro do arquipélago.
