Ajuda externa

Bloco acusa Passos de querer ajustar acordo para benefício da banca

Bloco acusa Passos de querer ajustar acordo para benefício da banca

 

Lusa/AO online   Nacional   30 de Out de 2011, 20:34

O coordenador do Bloco de Esquerda acusou hoje o primeiro-ministro de apenas pretender ajudar a banca, quando admite a possibilidade de ajustar o acordo de assistência financeira celebrado por Portugal com a troika.

Francisco Louçã falava no final do VI Encontro Nacional sobre Trabalho, numa intervenção em que reagiu a declarações proferidas por Pedro Passos Coelho em Assunção, no Paraguai, onde participou na Cimeira Ibero-Americana. Num comentário à disponibilidade manifestada pelo primeiro-ministro para ajustar junto da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) o acordo de assistência financeira de Portugal, Francisco Louçã advertiu que "esses ajustamentos não incidirão sobre o juro [do empréstimo], sobre a dívida abusiva, os prazos de pagamento, sobre o corte das reformas, dos subsídios de Natal ou de férias". "Os ajustamentos são única e simplesmente sobre a forma de financiar a banca. Não há nenhum outro ajustamento que Pedro Passos Coelho conceba", sustentou o coordenador do Bloco de Esquerda. Louçã observou depois que o acordo com a troika era "sacrossanto" e que nele "não se podia mexer uma vírgula, mas agora, se a banca exige fundos e liquidez, apoio e subsídios", então já se está "na época de ajustamentos". De acordo com o coordenador do Bloco de Esquerda, a recente posição de Pedro Passos Coelho "permite perceber o fundo da aposta e da ação do Governo". "Pedro Passos Coelho tem tido uma técnica, que é preciso apontar: Anuncia em prime-time de telejornal corte nos subsídios e alterações às regras da vida social. Depois, quanto está no estrangeiro, vai precisando, corrigindo, explicando e, quanto mais longe está de Portugal, pior é a explicação", disse Louça, antes de formular um desejo pessoal. "Bem gostaria que o primeiro-ministro não fosse mais longe do que Badajoz, porque, quando chega ao Paraguai, já está a falar num novo regime económico e social, para além dos cortes nos subsídios de férias e de natal. Provavelmente - diz ele -, esses cortes virão a ser eternos, porque há países que só têm 12 meses [de prestações salariais], caso da Holanda, mas esquecendo-se de dizer que na Holanda em 12 meses se ganha três vezes o que um trabalhador português ganha em 14 meses", contrapôs o coordenador do Bloco de Esquerda. Francisco Louçã fez ainda duras críticas à medida do Governo de aumentar em meia hora diária o horário de trabalho no setor privado. "Esta alteração do horário de trabalho quer dizer que os trabalhadores serão forçados a trabalhar mais três semanas por ano sem receberem um cêntimo de salário por essas horas. Dizem-nos que essa gestão pode ser feita ao impor aos trabalhadores um sábado ou um qualquer horário de trabalho que convenha à entidade patronal segundo as suas regras de produção. O que nos querem dizer é que os trabalhadores portugueses ainda devem ter saudades da semana inglesa, quando se trabalhava meio dia de sábado, e que agora tudo passa a ser possível", disse, em tom de crítica.


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