Bispo de Angra exorta a que se viva a Páscoa todos os dias

Na homilia do Domingo de Páscoa, D. Armando Esteves Domingues apelou a uma vivência concreta e contínua da fé, defendendo que celebrar a Ressurreição é sair todos os dias para servir, cuidar e reconstruir a esperança em comunidade



O Bispo de Angra afirmou que “precisamos de mais Páscoa. Mais Páscoa, mais esperança”, durante a homilia do Domingo de Páscoa, celebrada ontem na Sé de Angra. D. Armando Esteves Domingues exortou a que se viva a Páscoa todos os dias do ano, e não apenas nesta altura.

Segundo a nota de imprensa publicada pela Igreja Açores, o Bispo de Angra partiu da ideia central de que a Páscoa é a “passagem da morte para a vida” para  destacar que esta é a principal festa da fé cristã e deve ser vivida não apenas uma vez por ano, mas em cada domingo e em cada gesto concreto de amor ao próximo. Alertou, por isso, para a necessidade de recuperar o sentido do domingo como encontro vivo com Cristo na Eucaristia, lamentando a ausência de muitos cristãos dessa vivência essencial.

“Falta domingo na vida dos cristãos. Falta participar com entusiasmo e alegria no encontro com Jesus Ressuscitado na Eucaristia”, afirmou.

Aos fiéis presentes na Sé de Angra, assim como a quem acompanhou a homilia a partir de casa, D. Armando Esteves Domingues refletiu sobre os atos de Jesus Cristo na Última Ceia, como o lava-pés, um exemplo de serviço aos mais pobres e frágeis. Por isso, celebrar a Páscoa é, para o Bispo de Angra, “ir todos os dias para a rua servir e cuidar”, dar corpo ao amor cristão na sociedade.

Perante um panorama internacional incerto, onde as guerras e as crises ocupam o dia a dia de milhões, o prelado vê desafios e fragilidades, mas também sinais de esperança e renovação. Pois mesmo em tempos difíceis, há comunidades que persistem em responder com solidariedade e bondade, num verdadeiro testemunho do sentido de ser irmão, lê-se na Igreja Açores.

Recordando como Maria Madalena e os discípulos correram para o sepulcro, o Bispo de Angra diz que também hoje os cristãos são chamados a “correr” ao encontro de outros, levando a boa notícia da Ressurreição. 

“A fé cristã nasce na escuridão, não na luz. É a escuridão que conhecemos quando uma casa fica vazia após um luto, quando um médico pronuncia palavras que nos tiram o fôlego, quando um filho se afasta e já não conseguimos falar com ele. Nesses momentos, o coração torna-se um sepulcro fechado, e a esperança parece um luxo para os outros” lembrou o prelado. E acrescentou, enfatizando: “A razão não compreende, mas o amor ajuda o coração a abrir-se e a ver. A alegria da Páscoa amadurece apenas no terreno de um amor fiel”.

D. Armando Esteves Domingues dirigiu, ainda, uma palavra aos leigos, exortando-os a ser uma “presença ativa do Ressuscitado no mundo”, fazendo jus da responsabilidade do batismo.

“Quando todos os batizados se aperceberem da enorme possibilidade e responsabilidade que lhes vem do facto de serem batizados, não será mais necessário falar de corresponsabilidade e de participação. Cada um viverá a fé de acordo com os dons recebidos, porque é homem novo em Cristo”, disse, citado pela Igreja Açores.

A homilia terminou com um apelo a que todos deixem o seu “túmulo interior” e reconheçam que a Ressurreição persiste aos dias de hoje. “A vida recomeça verdadeiramente”, disse.

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