BE diz que EDA perdeu 7 ME com aquisição de combustível ao Grupo Bensaude

A Eletricidade dos Açores (EDA) terá perdido 7 milhões de euros devido a custos não aceites pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) relacionados com a aquisição de combustível à empresa Bencom para produção de eletricidade



A informação foi divulgada pelo deputado único do Bloco de Esquerda no parlamento açoriano, António Lima, na sequência da resposta do Governo Regional a um requerimento apresentado por aquele partido na Assembleia Legislativa dos Açores, a propósito dos negócios entre a EDA e a Bencom, empresa que pertence ao Grupo Bensaude, um dos acionistas privados da elétrica açoriana.

“As perdas de 7 milhões de euros devem-se a um contrato por ajuste direto assinado em setembro de 2024 entre a EDA e a Bencom, para o fornecimento de fuelóleo, um combustível fóssil altamente poluente que garante a produção da maior parte da energia elétrica nos Açores”, explicou o deputado do BE em comunicado.

Para António Lima, na troca de correspondência entre a EDA e a ERSE fica claro que a elétrica açoriana estimava, inicialmente, custos não aceites pelo regulador na ordem dos 5 milhões de euros e, já na altura, considerava a situação “preocupante”, por poder “colocar em causa, o equilíbrio económico-financeiro da empresa”.

No seguimento deste ajuste direto, a EDA lançou novo concurso público internacional, que cumpria os critérios da ERSE, mas que voltou a ficar deserto, o que levou a empresa a adjudicar novamente à Bencom, o fornecimento de fuelóleo, por 6 meses, pelo valor de 64,5 milhões de euros.

“O BE considera que esta situação demonstra que a região vive sob o jogo de um monopólio privado, que utiliza a sua posição dominante para obter lucros obscenos à custa dos contribuintes, que pagam as compensações atribuídas pela ERSE à EDA”, denuncia agora António Lima.

Para o deputado do Bloco de Esquerda, esta situação, que “configura um claro conflito de interesses”, apenas se mantém devido à “conivência do Governo Regional” de coligação PSD/CDS-PP/PPM que, na opinião do BE, “não mexe uma palha para criar alternativas ao fuelóleo na produção de eletricidade” no arquipélago.

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