BE critica gasto de 19 ME em dragagens na Figueira da Foz para combater erosão costeira

BE critica gasto de 19 ME em dragagens na Figueira da Foz para combater erosão costeira

 

AO Online/ Lusa   Nacional   17 de Ago de 2019, 00:29

O Bloco de Esquerda (BE) criticou esta sexta feira a transferência, por dragagem marítima, orçada em 19 milhões de euros, de três milhões de metros cúbicos (m3) de areia na Figueira da Foz para combater a erosão costeira.

Em declarações aos jornalistas, na praia da Leirosa, uma das localidades afetada pelo "problema claro" de erosão a sul daquela cidade do litoral do distrito de Coimbra, a líder do BE, Catarina Martins, manifestou desconfiança pela viabilidade do projeto do Governo (anunciado em junho para se iniciar em 2020), antes da concretização de um estudo precisamente para saber qual a melhor solução para a transferência de areias entre as margens do rio Mondego.

Catarina Martins lembrou que em 2017 o BE viu aprovado no parlamento um projeto de resolução da sua autoria que recomendava ao Governo o estudo de uma solução de transferência permanente de sedimentos através de um sistema fixo, conhecida por ?bypass'.

"Foi aprovada a proposta mas nunca mais é concretizada e anunciam-se já novas dragagens, mais milhões de euros para manobras que nós já sabemos que não resultam em nada", alegou a coordenadora do Bloco de Esquerda.

"O que é preciso fazer é uma passagem permanente que permita a transferência de areia, feita pelo próprio mar, ao longo de todo o ano e recuperar o equilíbrio natural das areias", defendeu Catarina Martins, indo ao encontro da solução defendida há vários anos pelo movimento cívico SOS Cabedelo, que hoje acompanhou a visita da comitiva bloquista.

"Em vez de continuarmos a gastar milhões de euros em processos de dragagens que todos os anos resultam inúteis e são repetidos, é preciso usar o melhor que tem a ciência e instalar estes procedimentos", enfatizou a coordenadora do BE.

Em junho, o Governo anunciou a transferência, por dragagem, de três milhões de metros cúbicos (m3) de areia, de uma zona no mar a norte do molhe norte do porto da Figueira da Foz para combater a erosão das praias a sul e garantir a navegabilidade na barra do rio.

O projeto, orçado em 19 milhões de euros, prevê a transferência entre os cinco e os sete milhões de toneladas (a densidade da areia molhada situa-se entre os 1.700 e os 2.300 quilos por m3), o que equivale a uma fila compacta de camiões com cerca de 1.500 quilómetros.

Miguel Figueira, do SOS Cabedelo, critica a iniciativa governamental, contestando quer o valor de investimento - que fica a seis euros por m3 de areia, quando os dados de que o movimento dispõe apontam para dois euros por m3 através do sistema de ?bypass', três vezes menos - quer o facto de a intervenção ter sido anunciada antes de concluída a análise custo / benefício para avaliar qual o melhor sistema, cujo concurso público, orçado em 300 mil euros, já foi lançado.

O movimento cívico defende ainda a retirada de areia já depositada na praia da Figueira da Foz, para combater o fenómeno da erosão costeira a sul.

A Figueira da Foz possui o maior areal urbano da Europa, 110 hectares localizados entre o molhe norte do porto comercial e a vila piscatória de Buarcos, o equivalente a 154 relvados de futebol, o que significa que metade da cidade caberia na praia.

A distância entre a avenida marginal e o mar ultrapassa os 700 metros no seu ponto mais largo e continua a aumentar. A situação agudizou-se em 2011, desde o prolongamento em 400 metros do molhe norte do porto comercial, um investimento de 14,6 milhões de euros, que teve também reflexos na erosão das praias a sul, com destruição da duna de proteção costeira em vários locais.



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