Base espacial de Santa Maria gera interesse de 11 empresas e da Índia

Base espacial de Santa Maria gera interesse de 11 empresas e da Índia

 

Paula Gouveia/AO Online   Regional   8 de Out de 2018, 09:51

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, confirmou que, pelo menos 11 empresas e a agência espacial da Índia (ISRO) manifestaram o seu interesse no concurso público internacional para a conceção, instalação e operação de uma base espacial em Malbusca, na ilha de Santa Maria, noticiou o Expresso.


De acordo com semanário que esteve presente no Congresso Internacional de Astronáutica em Bremen (Alemanha) - onde o ministro apresentou o concurso público internacional perante uma plateia com mais de 100 representantes de empresas e agências espaciais de todo o mundo, bem como jornalistas dos principais media da área do Espaço - entre os interessados estão algumas das maiores empresas espaciais do mundo como a OHB, a maior da Alemanha e a americana Northrop Grumman. Mas da lista constam também as portuguesas Lusospace, CEIIA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto), Omnidea/RTG, Deimos Engenharia (do grupo espanhol Elecnor Deimos) e Edisoft (do grupo francês Thales), tal como a britânica Orbex (onde a Deimos é um dos acionistas) a italiana Avio e a espanhola PLD.


O Expresso adianta ainda que Manuel Heitor sublinhou, durante a apresentação, as “vantagens únicas na Europa” de Santa Maria para a instalação de uma base espacial para pequenos lançadores (foguetões) e pequenos satélites: a sua localização estratégica a meio do Atlântico, entre a Europa, a América e África, permitindo trajetórias de lançamento sobre o mar sem obstáculos ou zonas povoadas, para órbitas polares e heliossíncronas (que acompanham a luz do Sol), que são as de maior interesse comercial; a maior proximidade ao Equador relativamente aos projetos europeus concorrentes (Escócia, Suécia, Noruega), o que permite poupanças de energia nos lançamentos; o clima (Santa Maria é a única ilha dos Açores com clima mediterrânico); e os incentivos ao investimento existentes ou que vão ser criados, refere o semanário.


O jornal explica também as razões do interesse da agência espacial indiana em Santa Maria: a ISRO, para conseguir colocar satélites em órbita geoestacionária tem de fazer uma grande manobra para evitar a passagem das trajetórias pelo Sri Lanka (21 milhões de habitantes), perdendo 30% da capacidade de carga por causa do transporte de mais combustível.


Processo vai ser decidido em seis meses
As manifestações de interesse de empresas e organizações espaciais no concurso lançado por Portugal têm de ser entregues até 31 de outubro, um prazo curto para não dar tempo à concorrência de outros projetos no Atlântico (Escócia, Suécia e Noruega). O ministro disse ao Expresso que “o processo deverá estar concluído dentro de seis meses, de modo a que no verão de 2019 haja um consórcio que possa concretizar o projeto, para que os primeiros lançamentos de satélites ocorram em 2021”.


O júri do concurso português esteve no congresso de Bremen e é constituído por Jean-Jacques Dordain, antigo diretor-geral da ESA (coordenador); Gaele Winters, ex-diretor da ESA para os lançadores; Dava Newman, que já foi astronauta, administradora da NASA e diretora do programa MIT Portugal; e Byron Tapley, fundador do Centro de Estudos do Espaço na Universidade do Texas em Austin (UTA).


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