Pesca

Barco acorrentado pela Greenpeace em lista oficial de pesca ilegal


 

Lusa/AOonline   Nacional   30 de Out de 2008, 15:26

Um dos quatro barcos acorrentados quarta-feira pelos activistas da Greenpeace em Aveiro está numa lista oficial de pesca ilegal, a que a Lusa teve acesso, encontrando-se impedido de ser abastecido de combustível ou alimentos.
A lista revela que a embarcação "Red", do armador português Silva Vieira, foi incluída a 08 de Outubro na Lista A da Comissão de Pescas do Atlântico Nordeste (NEAFC), sendo a única embarcação a figurar actualmente nessa listagem.

    No dia da acção da Greenpeace, o Capitão do Porto de Aveiro, Alves Salgado, afirmou à Lusa "não existir qualquer registo de ilegalidade" das embarcações de pesca do armador Silva Vieira, que entretanto negou quaisquer práticas ilegais.

    O comissário europeu das Pescas reuniu hoje em Bruxelas com membros da organização ambientalista para, entre outros assuntos, avaliar a situação das quatro embarcações do armador português.

    "Informámos todos os Estados-membros da inclusão da embarcação na Lista A da NEAFC", disse à Lusa a porta-voz do comissário, Natalie Charbonaut, adiantando que as investigações sobre este barco de pesca ainda estão a ser aprofundadas.

    Isto porque a Greenpeace denunciou que o Red está inscrito noutra lista de pesca ilegal (Lista B), ainda mais grave, com o nome de Kabou.

    No caso de se confirmar esta informação, e de o barco ser incluído na Lista B da NEAFC, o Red ficará imobilizado no porto de Aveiro, impedido de desatracar.

    "O barco mudou várias vezes de identidade. Entregámos já um documento ao ministro da Agricultura e Pescas a pedir que se ponha fim à pesca ilegal deste armador e ordenando o abate do navio, pois é a única maneira de assegurar que não continua com tais práticas", afirmou à Lusa Farah Obaidullan, da Greenpeace Internacional.

    Segundo esta responsável, o Red já teve vários nomes, Kabou, Joana e Lótus, procedendo o armador à alteração do nome da embarcação cada vez que esta é incluída numa lista de pesca ilegal.

    Os outros três barcos acorrentados pela Greenpeace - "Caribe", "Brites" e "Aveirense" - não constam de nenhuma lista de pesca ilegal.

    Embora os quatro barcos sejam propriedade do armador português, apenas o Brites e o Aveirense integram a frota pesqueira portuguesa uma vez que o Caribe e o Red usam bandeiras de Cuba e do Panamá, respectivamente.

    Todos os quatro navios estão na lista negra da Greenpeace de pirataria de pesca, mas apenas o Red consta das listas de pesca ilegal oficiais: "Os outros estão na nossa lista por razões históricas, até porque alguns já integraram no passado as listas oficiais de pesca ilegal", adiantou aquela fonte da Greenpeace.

    No dia da acção no porto de Aveiro, o empresário Silva Vieira negou que as suas embarcações sejam "piratas" ou pratiquem pesca ilegal.

    "São navios licenciados pela União Europeia e foram até inspeccionados também por um barco comunitário, bem como à chegada, no momento da descarga, pelas autoridades portuguesas e comunitárias, sem qualquer incidente", relatou.


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