Bancos portugueses apertaram condições para concessão de empréstimos


 

Lusa / AO online   Economia   8 de Out de 2007, 17:14

Os bancos portugueses apertaram os critérios de concessão de empréstimos no terceiro trimestre deste ano, de acordo com o relatório do Banco de Portugal hoje divulgado.
    Os resultados do inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito mostra que os cinco grupos bancários portugueses se tornaram mais restritivos entre Julho e Setembro, devido ao aumento do custo do capital (com a subidas das taxas de juro de mercado), da incerteza e das restrições de balanço dos bancos.

    Além disso, a redução da capacidade das empresas se financiarem no mercado de capitais também ajudou os bancos a limitarem a concessão de crédito.

    O relatório do Banco de Portugal, que foi divulgado um mês antes do prazo inicialmente agendado, refere ainda que a concorrência entre instituições conteve o aumento das restrições nas condições dos empréstimos, sobretudo ao nível do crédito ao consumo.

    Com mais restrições ao crédito, os empréstimos para as famílias e empresas tornam-se mais difíceis de obter e o seu custo aumenta, pelo que este contexto pode ter consequências negativas para a actividade económica.

    Na sexta-feira, o Banco Central Europeu já tinha dito que os bancos europeus apertaram no terceiro trimestre as condições de concessão de crédito, na sequência da crise financeira associada ao crédito hipotecário de alto risco, segundo o seu inquérito aos bancos.

    O relatório trimestral sobre os empréstimos da banca, que foi divulgado um mês mais cedo do que o habitual devido à agitação do mercados, refere que os bancos limitaram no terceiro trimestre as condições de concessão de empréstimos às empresas e para a compra de habitação por parte das famílias, depois de um longo período em que essas condições se mantiveram inalteradas.

    A semana passada, a Comissão Europeia disse que a crise do crédito hipotecário poderia reduzir em 0,3 pontos percentuais o crescimento económico da Zona Euro em 2008.

    Com a restrição nos empréstimos, os bancos portugueses ajustaram a oferta de crédito: reduziram a maturidade dos empréstimos (prazo), aumentaram as garantias exigidas, reduziram os montantes emprestados e subiram outras exigências junto de empresas.

    Houve também uma redução das comissões e de outros encargos não relacionados com a taxa de juro.

    No inquérito, as instituições financeiras reconhecem que depois da crise do mercado norte-americano de crédito hipotecário de alto risco e das repercussões no mercado em Agosto, passou a haver uma "avaliação bastante mais cautelosa do risco de crédito a nível mundial".

    Para esses bancos, a turbulência no mercado de crédito contribuiu para tornar mais restritivos os critérios de concessão de empréstimos no terceiro trimestre.

    É esperado um novo agravamento dessas concessões de crédito até ao final do ano, tendência que se fará sentir sobretudo nos ‘spreads’ cobrados (custo entre o dinheiro emprestado e pedido emprestado) e não tanto nos montantes emprestados.

    Os bancos esperam ainda que a turbulência financeira tenha "algum impacto" no seu custo de capital, não havendo ainda dados quantificados para esse movimento.
Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.