Estes micro eventos são apenas um plano B, ou caso o festival decorra em modo “normal” mantêm-se no programa?
Em 2020 introduzimos o “cinema na praia”, com uma programação dedicada
às questões ambientais e sociais. Independentemente da pandemia, esta
programação já estava prevista para 2020 e a ideia era começar na praia e
estender a programação a outras freguesias
do concelho nos dias que antecedem o festival. Em 2021, pensamos que
esta programação poderá não limitar-se ao cinema e constituir um bom
plano B.
Fala-se, a nível nacional, da hipótese de se realizarem testes
rápidos à entrada e da obrigatoriedade de utilização de máscaras. São
hipóteses em cima da mesa neste momento?
Com exceção dos testes rápidos, não há nada que não tenhamos aplicado,
falo da limitação de lugares, distanciamento social e utilização de
máscaras. O Azores Burning Summer foi, provavelmente, o único festival
que se realizou nos Açores em 2020 e fomos além
das recomendações da autoridade de saúde. Correu às “mil maravilhas”.
Nos moldes habituais, o nosso recinto tem capacidade para receber 3.000
pessoas, essa é uma lotação já por si reduzida tendo em conta a área do
terreno e o que a lei permite, mas que também
está em sintonia com o conforto que pretendemos dar ao nosso público.
Estamos prontos para qualquer desafio, por exemplo, limitar a lotação a
1.500 ou 2.000 pessoas e aplicar os testes rápidos à entrada. É claro
que estas opções dependerão sempre do financiamento
disponível.
O financiamento - público e privado - está a corresponder às
expectativas? Ou a pandemia também veio aumentar as dificuldades nesta
matéria?
Enquanto que em 2020 fomos obrigados a reduzir a dimensão e o custo do
evento, em 2021, apesar de já termos tudo planeado (equipa, meios,
artistas e logística de viagens), temos dúvidas relativamente à
disponibilidade financeira que teremos. É muito difícil
fechar compromissos e orçamentar neste clima de incertezas. Não somos um
festival de massas, conhecemos o nosso público, temos uma excelente
equipa técnica, de produção e comunicação, estamos bem organizados e
isso dá-nos segurança, mas estamos francamente
dependentes das receitas geradas no evento e dos apoios públicos e
privados. Já estabelecemos alguns contactos e estamos a sensibilizar as
entidades públicas e privadas para as dificuldades que o sector cultural
atravessa. Isto não pode continuar como está,
os artistas e profissionais do espetáculo estão parados desde Março de
2020. Não estamos com ilusões nem aceitamos derrotas, vemos a cultura
como um bem de primeira necessidade e sabemos que podemos fazer as
coisas bem feitas, o nosso público é exemplar, é
educado, diverte-se, sabe fazer festa e isso orgulha-nos de uma forma
indescritível, sei que criamos momentos incríveis no Porto Formoso e
elevamos a qualidade da oferta cultural e de animação turística nos
Açores.
O que é que já se pode saber sobre o cartaz e as atividades que estão preparadas para a edição deste ano?
Em primeiro lugar será um lindo cartaz, assinado pela nossa designer
Elis. Sobre os artistas, devo dizer que enquanto não houver a
confirmação de que os poderemos trazer e pagar, não iremos anunciar, mas
garantidamente estamos a manter os artistas que estavam
programados para 2020, é um compromisso que temos de honrar, são
artistas incríveis que queremos muito trazer ao nosso público no Porto
Formoso. O Azores Burning Summer leva muito a sério a curadoria musical,
temos uma programação bem definida, com 3 palcos,
sendo a programação na Praia dos Moinhos totalmente gratuita. Contamos
sempre com os nossos DJ’s residentes e anfitriões do Festival: Adrian
Sherwood, Isilda Sanches, Pedro Tenreiro e Pedro Mesquita, temos também a
sorte e o prazer de contar com a colaboração
assídua de diversos artistas dos Açores, aqueles cujo trabalho artístico
enquadra-se na linha do Festival.
Há novidades na vertente ambiental do festival?
Queremos consolidar a nossa programação ambiental da qual fazem parte o
projeto de “Land Art”, os debates “Eco Talks”, a feira “Eco Market”
dedicada ao ecodesign, a exposição de veículos elétricos e o “Cinema na
Praia” que pretende suscitar a reflexão sobre
o modo como vivemos. O Eco Festival Azores Burning Summer é um
laboratório de práticas sustentáveis, planeamos e monitorizamos todas as
ações, submetemos o nosso público às melhores práticas, estamos
empenhados em alcançar os mais elevados padrões de sustentabilidade.
Desde a primeira edição, em 2015, conseguimos atingir os objetivos
"Desperdício Zero” e “Zero Ruído Visual” e temos outros objectivos a
anunciar nas próximas edições. A qualidade da programação, a ecologia, o
conforto, segurança e formação do público são a
matriz do Eco Festival Azores Burning Summer! Não podemos parar!
