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Assembleia Regional “entrou no epicentro da política açoriana”

O comentador político Elias Pereira considerou, esta terça-feira, que a Assembleia Regional “saiu da escuridão da noite” e “entrou no epicentro da política açoriana”, de onde “nunca deveria ter saído”, face aos resultados das últimas eleições regionais.

Assembleia Regional “entrou no epicentro da política açoriana”

Autor: Lusa/AO Online

“O parlamento dos Açores saiu da escuridão da noite e entrou no epicentro da política açoriana, de onde nunca devia ter saído. A plural representação dos cidadãos enriquece a vontade coletiva e alinha-se com os novos modelos de governo ancorados na concertação”, afirmou Elias Pereira à agência Lusa.

Elias Pereira é advogado de profissão, comentador político em vários órgãos de comunicação social regionais e também membro do Conselho Superior de Magistratura.

Para o comentador, o resultado das eleições regionais do passado domingo não significa “um período de instabilidade política”, porque o “povo tem sempre razão”.

No seu entender, uma das conclusões dos últimos resultados eleitorais é que os “ciclos políticos muito longos causam profunda erosão” e levam a que o “pragmatismo impere” perante “a derrogação de princípios” ideológicos e partidários.

Para a perda da maioria absoluta do PS, que a detinha desde 2000, Elias Pereira destacou os “problemas conjunturais agravados com a pandemia” e a questão financeira da transportadora área regional SATA, bem como outros “problemas estruturais” da região.

“Os problemas estruturais não resolvidos da educação e cultura e mesmo da saúde, aliados a uma pobreza originaram um grande descontentamento na população, porventura, com maior incidência nos jovens”, acrescentou.

Sobre os cenários pós-eleitorais, Elias Pereira salientou que a vontade do eleitorado “está dividida com ligeira tendência da direita, o que poderá originar uma geringonça invertida da existente”, afirmou.

“Não me parece que partidos como PPM ou CDS tenham espaço político para virarem à esquerda, sob pena de serem engolidos em próximo ato eleitoral. Até pelo próprio Chega e pela Iniciativa Liberal, não vislumbro que, depois do dito [durante a campanha], tenham hipótese de virar naquele sentido", defendeu.

O comentador prevê dificuldades para o PS conseguir um “acordo para formar governo”, pois “resta-lhe o Bloco de Esquerda e a incógnita do PAN”: “aguarda-se um período interessante”, previu.

Nas eleições regionais do passado domingo, a taxa de abstenção foi de 54,6%, inferior à registada em 2016 (59,2%), um valor que o analista considera ainda “muito elevado” e que “exige medidas imediatas”.

Nas eleições regionais de domingo, o PS perdeu a maioria absoluta nos Açores, só tendo conseguido eleger 25 deputados do total de 57 parlamentares da Assembleia Legislativa Regional, com 40.701 votos (39,13%).

O PSD, com 33,74% (35.091 votos), garantiu 21 mandatos, seguido pelo CDS-PP com 5,51% (5.734 votos), que elegeu três deputados, além de um parlamentar em coligação com o PPM (com 115 votos).

O Chega, que teve 5,06% (5.260 votos), elegeu dois deputados, tal como o BE, que alcançou 3,81% (3.962 votos).

O PPM obteve 2,34% (2.431 votos) e elegeu um deputado, além de um outro eleito em coligação com o CDS-PP. A Iniciativa Liberal e o PAN conseguiram 1,93% dos votos, elegendo um deputado cada.

Apesar de ter vencido as legislativas, em números absolutos o PS perdeu 2.573 votos em relação a 2016, enquanto o PSD, o segundo mais votado, cresceu, tendo obtido mais 6.301 votos do que há quatro anos.


 
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