Arquitetura portuguesa moderna é destaque em universidade na Alemanha


 

Lusa/Ao online   Nacional   1 de Dez de 2018, 11:08

A Universidade de Tubinga, na Alemanha, está a realizar, durante o semestre de inverno, um ciclo de conferências sobre a arquitetura moderna em Portugal, focando-se na geração pós Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura.

A série de palestras “Arquitetura Hoje” é organizada, há mais de duas décadas, pela Sociedade de História de Arte de Tubinga e pela Câmara dos Arquitetos.

A organizadora, Ursula Schwitalla, revela que esta iniciativa já se tornou num “conhecido fórum de tendências, opiniões e projetos de arquitetura, que cativou um enorme interesse e audiência.”

Este ano, o país escolhido é Portugal porque, de acordo com a historiadora de arte, “é muito interessante perceber como um país caiu da sua posição de poderio colonial, ao longo dos séculos, para um lugar menor, durante a ditadura, com uma arquitetura representacional quase excluída das tendências modernas da Europa”.

“No período após a ditadura, a habitação social tornou-se a expressão da arquitetura contemporânea de Portugal. Com a adesão à União Europeia, em 1986, e graças ao crescimento do turismo, a indústria da construção também começou a recuperar. No entanto, com a Expo 98, em Lisboa, surgiu uma nova consciência das intervenções urbanas, a revitalização dos alqueives industriais, a modernização de centros históricos ou periferias esquecidas”, disse à Lusa Ursula Schwitalla, historiadora de arte, especializada em arte e arquitetura contemporâneas.

A organizadora deste ciclo de conferências, na Universidade de Tubinga, recorda que os últimos dez anos “fizeram de Portugal um país de emigração, com muitos jovens arquitetos a irem para o Brasil ou para Angola, o que levou a uma estagnação da arquitetura.”

Para Ursula Schwitalla, os dois vencedores do Prémio Pritzker, Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura, “moldaram o cenário arquitetónico português durante muitos anos.”

Destaca, ainda assim, que “a geração seguinte, surgida da escola do Porto ou de Lisboa, há muito que se emancipou e, apesar da crise, realizou importantes projetos públicos e privados, seguindo uma nova linha, de ‘Menos é Mais’”.

Ao longo de duas décadas, já passaram pelos ciclos de conferências da Universidade de Tubinga, arquitetos internacionais como Zaha Hadid, Richard Meier, Daniel Libeskind, Peter Zumthor, Kazuo Sejima, Ben van Berkel e Alejandro Aravena, entre outros.

Esta edição, dedicada a Portugal, já contou com a presença de Frederico Valsassina, Inês Lobo e Pedro Gadanho.

A próxima conferência está marcada para dia 15 de janeiro, com a presença de João Luís Carrilho da Graça.




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