Eleições

André Silva tem dúvidas do empenhamento ambiental do PS e critica Costa sobre Amazónia


 

AO Online/ Lusa   Nacional   31 de Ago de 2019, 11:34

O porta-voz do PAN, André Silva, expressa “sérias dúvidas” quanto ao comprometimento do PS com a descarbonização da economia e critica a posição do primeiro-ministro sobre a Amazónia, considerando “desolador” que tenha agido ao arrepio dos principais líderes europeus.

Em entrevista à agência Lusa no âmbito das eleições legislativas de 06 de outubro, o deputado único do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) pede uma “posição firme relativamente a Bolsonaro”, considerando o Presidente do Brasil “uma pessoa absolutamente inconsciente e impreparada para estar no lugar onde está” e considerou “extremamente positivos” os sinais dados pela “maior parte dos líder europeus” a propósito da crise ambiental na Amazónia.

André Silva aponta, em contraste, o “sinal extremamente negativo” do primeiro-ministro e secretário-geral do PS sobre esta matéria: “Um sinal eu diria até, um pouco desolador, por parte de António Costa, que vem, uma vez mais privilegiar a extração de recursos, o crescimento económico em detrimento daquilo que é um ecossistema absolutamente importantíssimo e fundamental”.

Para o porta-voz do PAN, no momento em que “os principais líderes eleitos democraticamente na Europa” assumem “uma posição mais assertiva relativamente ao Brasil”, o primeiro ministro português assume “o discurso de sempre de que, atenção, é preciso privilegiar e ter atenção à economia, e às relações económicas e não ter uma política de isolamento relativamente ao Brasil”.

“Isto é a continuação da mesma conversa, da mesma narrativa, de colocar os interesses económicos acima dos interesses ambientais de uma região que não é do Brasil, é uma região que é do planeta”, sublinha.

António Costa defendeu na semana passada que o Brasil precisa de solidariedade e não se sanções, argumentando que não deve ser confundido o drama que se vive na Amazónia com o acordo com o Mercosul, que considerou “muito importante para a economia portuguesa e não deve ser utilizado pelos países que sempre se opuseram à sua assinatura”, como a França.

As dúvidas do PAN face o comprometimento dos socialistas com o ambiente são mais vastas: “Querem aumentar o tráfego aéreo no nosso país, com a construção de um novo aeroporto para reforçar a Portela, num sítio de reserva natural, onde passam cerca de três milhões de aves por ano. Não há uma única palavra sobre agricultura biológica no programa do Partido Socialista, com a continuidade das políticas agrícolas de expansionistas relativamente à agricultura intensiva. Estamos a transformar e a destruir o nosso o Alentejo, num olival intensivo. Não há regras para estufas na Costa Vicentina. O Partido Socialista quer explorar hidrocarbonetos ao largo da nossa costa, quer fazer mineração profunda nos oceanos. Falando de turismo, quer aumentar o número de navios de cruzeiro nos portos de Lisboa, e nos principais portos, quando os navios de cruzeiros que passam ao largo da costa portuguesa emitem oitenta e seis vezes mais emissões de gases de efeito estufa do que todos os transportes do nosso país”.

“Por isso eu digo que tenho sérias dúvidas relativamente a estas intenções que não passam de intenções. Por um lado, dizem querer descarbonizar a economia, mas, por outro lado, as ações e as opções para a economia são sempre no suposto desenvolvimento económico com base naquele mito, naquela ilusão matemática, em que nos fazem viver do crescimento ilimitado”, sustenta.

Alargando a crítica a todo o espetro político, André Silva considera que desde a entrada do PAN no parlamento há mais atenção dos partidos aos temas ambientais, falando mesmo de uma “revolução de consciências” iniciada por aquele partido, mas volta a desconfiar das consequências práticas das intenções expressas.

“Há uma narrativa que está completamente dissonante das práticas e da economia real”, aponta.

“Quando vemos constantemente as imagens de televisão dos partidos em campanha, aquilo que se vê em cima da mesa são copos plásticos, garrafas de plástico e carne dentro do prato”, ilustra.

Em contrapartida, o PAN promete uma “campanha de baixo carbono”, apesar do esforço visitar todos os distritos, com os candidatos a deslocar-se de transportes públicos e num carro híbrido.

“Não é possível em Portugal, ainda, conseguirmos fazer a deslocação através de um automóvel elétrico causa dos postos de carregamento em determinados locais. Fizemos esse estudo, não é possível”, sustenta.

O porta-voz disse também que não será aumentada a rede de cartazes nas ruas, e não serão produzidos “quaisquer tipo de brindes”.

Os candidatos vão distribuir ‘flyers’, mas feitos de papel reciclado e tintas ecológicas, e as refeições não vão incluir “nenhum produto de origem animal” porque “a produção animal tem impactos enormes ao nível ambiental”.

A campanha vai incluir momentos de perguntas que a população queira colocar, e às quais o PAN dará resposta, e os candidatos vão realizar “algumas visitas” que o partido entenda importantes.

“Faremos também ações de limpeza em todo o país para compensar a nossa pegada ecológica e a pegada ecológica também dos outros partidos”, adiantou André Silva.



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