Ananás dos Açores enfrenta dificuldades na comercialização

Ananás dos Açores enfrenta dificuldades na comercialização

 

LUSA / Ao online   Economia   12 de Set de 2012, 12:44

O ananás dos Açores enfrenta "grandes dificuldades" ao nível da comercialização devido a "dificuldades económicas que restringem o consumo", mas também por causa da concorrência do abacaxi, alertou hoje Rui Pacheco, presidente da associação de produtores PROFRUTOS.

“Há grandes dificuldades, principalmente na comercialização”, afirmou Rui Pacheco, em declarações aos jornalistas em Ponta Delgada, à margem do Dia Aberto da Cultura do Ananás, promovido pelo Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores (INOVA).

A produção de ananás, produto com Denominação de Origem Protegida (DOP), ascende atualmente a cerca de 1.200 toneladas por ano, ocupando uma área de cultivo entre 50 e 60 hectares na ilha de S. Miguel.

Para Rui Pacheco, o posicionamento do ananás de S. Miguel no mercado nacional é "pequeno", recordando que representa apenas "dois por cento em relação ao abacaxi", um fruto que "consegue chegar a Portugal a preços ridículos".

Nesse sentido, o presidente da PROFRUTOS lamentou que, numa altura em que o país atravessa um "período de muitas dificuldades económicas no consumo", existam produtos, como o ananás, cuja compra sofre restrições devido ao preço.

Rui Pacheco sublinhou, no entanto, as "melhorias" que se têm registado ao nível da produção de ananás, nomeadamente em resultado do projeto 'Investigação, Desenvolvimento e Aplicação de Tecnologias e Práticas Promotoras da Competitividade e Qualidade da Produção', financiado pelo programa ProConvergência e promovido pelo INOVA.

No mesmo sentido, Carlos Arruda Pacheco, do Instituto Superior de Agronomia, uma das instituições associada a este projeto, afirmou à Lusa que já "existem resultados com uma contribuição muito positiva" para a produção de ananás, destacando "os testes com recurso a um substrato orgânico, através de um composto fornecido pela Associação de Municípios de S. Miguel".

"Já temos a primeira estufa com ananases resultantes desta produção", frisou, defendendo a criação de um produto diferenciado do tipo 'gourmet'.

Na abertura deste dia dedicado à cultura do ananás, Duarte Ponte, presidente do INOVA, frisou que o projeto "tem uma influência direta na economia da região", enquanto Joaquim Pires, diretor regional do Desenvolvimento Agrário, destacou a importância das "práticas inovadoras" nesta cultura e recordou o plano lançado pelo executivo para a melhoria do ‘Ananás dos Açores’.

A cultura do ananás foi introduzida em meados do século XIX em S. Miguel, demorando certa de dois anos desde a plantação até à colheita do fruto, cujas qualidades de aroma e sabor são consideradas únicas.


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