Presidenciais2026

Albuquerque fala de "derrota monumental" e não dará indicação de apoio na segunda volta

O presidente do governo madeirense disse que a direita e o centro de direita tiveram uma “derrota monumental” nas presidenciais e Marques Mendes foi “ultra penalizado” nesta região, anunciando que não dará indicação de apoio na segunda volta



“Acho que neste momento, a primeira leitura que se faz é que a direita e o centro de direita de direita português, com dois terços no parlamento, sofreu uma derrota monumental e está em vias de eleger um socialista para a Presidência da República”, afirmou Miguel Albuquerque aos jornalistas, no Funchal.

Para o também líder do PSD/Madeira, “é extraordinário como uma fragmentação da direita numa eleição destas consegue de facto transformar aquilo que era no fundo uma consolidação de um poder crescente democrático em Portugal numa derrota”.

O chefe do executivo regional (PSD/CDS-PP) considerou que este foi “um fenómeno político paradigmático”, argumentando que “a fragmentação é sempre má” e que as eleições presidenciais sendo personalizadas é “muito difícil os partidos políticos terem um papel decisivo na fiscalização do voto dos eleitores”.

Sobre a vitória de André Ventura nesta região autónoma, Miguel Albuquerque justificou o resultado e a derrota do candidato apoiado pelo partido com “três circunstâncias”.

“Em primeiro lugar, eu sabendo da volatilidade de uma votação numas presidenciais, nunca tomei nenhuma posição, nem podia tomar, relativamente ao apoio em qualquer candidato”, sublinhou.

Realçou que deu apoio pessoal a Marques Mendes por entender que era o candidato que “melhor salvaguardava os direitos da autonomia e os direitos dos madeirenses”.

O dirigente social-democrata insular acrescentou que, em segundo lugar, toda a confusão que surgiu em relação ao subsídio que “teve uma repercussão muito negativa quer à luz daquilo que foram as decisões do Governo a nível nacional, quer à luz daquilo que aconteceram nas presidenciais”.

“Ou seja, o candidato que era apoiado pelo partido foi ultra penalizado na Madeira”, especificou.

Também criticou a campanha eleitoral “muito fraca” e “perfeitamente amadora numas presidenciais” sem material de propaganda, nem cartazes na Madeira “levou à penalização da candidatura de Marques Mendes” neste arquipélago.

Miguel Albuquerque adiantou que “à semelhança do aconteceu na primeira volta, o partido não vai apoiar ninguém na Madeira”, apontando que “as pessoas são livres de votarem no candidato na segunda volta que entenderem”.

“Não vou apoiar nenhum dos candidatos nem dar indicação para apoiar nenhum”, frisou.

Mas, alertou, os eleitores devem estar “atentos aquilo que os candidatos a Presidente da República vão dizer de forma clara sobre os compromissos que têm no quadro nacional para com as autonomias e em função das autonomias”.

Enunciou a posição dos candidatos sobre a revisão da Lei das Finanças Regionais, a discriminação que o subsídio de mobilidade introduz e se vão usar a magistratura de influência no sentido de garantirem que os direitos dos residentes na Madeira e nos Açores são assegurados no quadro constitucional

Questionado sobre uma eventual vitória de André Ventura, respondeu: “De forma coerente preocupa-me acima de tudo, não é com a pessoa em si, é que a função de um Presidente da República, num sistema de governo semipresidencial tem muita influência sobre a evolução do sistema politico e daquilo que pode acontecer a médio e a longo prazo”.

Mencionando que apoiou pessoalmente Marques Mendes “mesmo sabendo que teria poucas possibilidades”, Albuquerque destacou que a preocupação é ter um Presidente da República que faça auscultação das autonomias”.

Acrescentou que deve ter “em linha de conta a necessidades das autonomias terem um progresso e uma evolução em função daquilo que se está a passar no mundo” e que tenha “a sensibilidade e, sobretudo, a preocupação de ouvir os poderes nacionais e as decisões do Estado que afetam” as regiões autónomas.

António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, em 08 de fevereiro, depois de, no domingo, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obtido 23%.

Em terceiro lugar ficou Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, com 16,%, à frente de Gouveia e Melo, com 12%, e de Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS, com 11%.

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