Ainda se constrói casas em sítios "indevidos" nos Açores

Ainda se constrói casas em sítios "indevidos" nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   31 de Dez de 2013, 08:59

O vulcanólogo Victor Hugo Forjaz alertou para os riscos das construções em sítios "indevidos" nos Açores, salientando que as pessoas têm "memória curta", apesar dos ensinamentos que foram retirados dos últimos sismos.

"Com o sismo de 80 passou-se a construir melhor, mas é preciso não esquecer o passado", frisou, a propósito do lançamento do livro "Terramoto de 1980 - Memória e Sentimentos", na quarta-feira.

O livro, de que Victor Hugo Forjaz é um dos autores, surgiu precisamente para avivar a memória dos açorianos, que, segundo o vulcanólogo, se esquecem de que a região não está imune a sismos.

"Eu e uns amigos reparámos que o sismo estava a ficar esquecido", adiantou, salientando que o terramoto de 1980 foi "histórico" para a geologia nos Açores.

O livro tem uma "intenção pedagógica", mas junta aos ensinamentos científicos textos sentimentais, segundo Victor Hugo Forjaz.

O sismo, com magnitude de 7,2 na escala de Richter, registou-se na tarde do dia 01 de janeiro de 1980, com epicentro a 35 quilómetros a sudoeste de Angra do Heroísmo. As ilhas Terceira e São Jorge foram as mais afetadas, tendo-se contabilizado 61 mortos.

Segundo Victor Hugo Forjaz, este foi o acontecimento geológico com "maior violência" nos Açores a seguir ao sismo de 1757, em São Jorge.

Na altura, o vulcanólogo já era diretor de um projeto geotérmico na ilha de São Miguel, mas foi o sismo de 1980 que levou à criação do Serviço Regional de Proteção Civil dos Açores e da rede de vigilância sismovulcânica da região.

Victor Hugo Forjaz realçou que o terramoto trouxe muitos conhecimentos, tanto ao nível científico, como para a construção de edifícios, apesar de ainda se encontrarem atualmente casas construídas junto à costa e perto de ribeiras.

O vulcanólogo aprendeu, por exemplo, que existe um "efeito de sítio" que faz com que as ondas sísmicas sejam mais aceleradas em determinados locais.

Quando fez o percurso do aeroporto a Angra do Heroísmo, na altura, encontrou uma vila longe do epicentro muito destruída, o que o levou a pensar que a cidade estivesse em pior estado, mas veio depois a descobrir que a justificação estava no "efeito de sítio".

O livro "Terramoto de 1980 - Memória e Sentimentos" é lançado às 15:30 (hora local), na Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo.

A cerimónia será precedida pelo toque dos sinos em todas as igrejas da ilha Terceira, em memória das 61 vítimas mortais.

 


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