Agricultores exigem 140 ME à República para recuperar competitividade

Os agricultores açorianos querem uma fatia de 20 milhões de euros nos 140 milhões que a CAP exige ao Governo da República para compensar o aumento dos custos de produção. Exigem ainda o pagamento de 23 milhões que o Estado, segundo a Federação Agrícola dos Açores, lhes deve desde 2022



Cerca de 150 dirigentes associativos agroflorestais exigiram ao Governo apoios para compensar o aumento dos custos de produção e recuperar a competitividade face a Espanha, numa concentração junto à Assembleia da República (AR), em Lisboa.

Uma delegação liderada pelo presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) deslocou-se ao parlamento, para exigir ao Governo medidas de compensação ao setor no valor de 140 milhões de euros para criar condições de competitividade para o setor.

Para a confederação liderada por Álvaro Mendonça e Moura, esta é uma “resposta indispensável para compensar o agravamento dos custos de produção e atenuar a competitividade perdida” face ao país vizinho.

“O que nós queremos não é subsídios, o que nós queremos é que os agricultores portugueses possam competir com os agricultores de outros países”, afirmou o presidente da CAP, durante o protesto, que incluiu a entrega de reivindicações aos grupos parlamentares do PSD, Chega, PS, IL e CDS.

O dirigente criticou a falta de medidas eficazes para responder à subida dos fatores de produção, considerando que o Governo não está a utilizar plenamente as possibilidades de apoio autorizadas pela Comissão Europeia para fazer face à crise no setor agrícola.

“Esta paralisia do Governo nós não a podemos compreender e obviamente não a podemos aceitar”, afirmou, defendendo que Portugal está a colocar os agricultores em desvantagem face aos concorrentes europeus, em particular face os espanhóis.

Segundo o presidente da CAP, os apoios concedidos por Espanha ao setor agrícola e agroalimentar são superiores aos de Portugal, contribuindo para a deterioração da balança comercial entre os dois países e para a perda de competitividade dos produtos nacionais, tanto no mercado interno como nos mercados de exportação.

O responsável alertou ainda para os riscos para a soberania alimentar, defendendo que Portugal não pode ficar dependente das importações e deve garantir condições para manter a produção nacional.

O presidente da Federação Agrícola dos Açores e vice-presidente da CAP, Jorge Rita, que integrou a concentração, reivindica que cerca de 20 milhões dos 140 milhões pedidos sejam para a região.

“Nos 140 milhões que a CAP reivindica, queremos que uma parte dessa verba venha também para a região, na ordem dos 20 milhões”, afirmou.

Jorge Rita exige ainda o pagamento de 23 milhões de euros que, diz, o Estado deve aos agricultores açorianos desde 2022, e que classifica como ‘linha vermelha’.

Durante o protesto, mais de 150 dirigentes entregaram estas exigências a vários grupos parlamentares e ao gabinete do primeiro-ministro.

O ministro da Agricultura disse que só em 2027 é que “haverá mais de 162 milhões de euros para apoio” aos agricultores para compensar a subida dos custos de produção e recuperar a competitividade face a Espanha.

*com agência lusa


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