OMV discorda da dispensa de uso de coleira em animais de companhia

Bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) e o Conselho Regional dos Açores discordam com a dispensa do uso de coleira para os animais de companhia, defendendo que é importante para controlo e identificação



O bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Pedro Fabrica, e o presidente do Conselho Regional dos Açores da OMV, Francisco Brandão, não concordam da dispensa generalizada da coleira, considerando que é “fundamental para identificar os animais na via pública e para identificação visual e imediata do detentor”.

Os médicos veterinários foram ouvidos no âmbito do Projeto de Decreto Legislativo Regional “Terceira alteração ao Decreto Legislativo Regional n.º 12/2016/A, de 8 de julho, que estabelece medidas de controlo da população de animais de companhia ou errantes” , do Bloco de Esquerda/Açores, em audição parlamentar, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

Os especialistas defendem que não existem dados concretos que comprovem os riscos associados ao seu uso e que existem alternativas que reduzem o perigo de acidentes, referindo que em casa os animais não precisam de usar coleira, reduzindo o “risco de enforcamento acidental invocado na proposta”.

No documento, o BE refere que “a dispensa desta obrigatoriedade permite adotar práticas mais seguras e alinhadas com as recomendações veterinárias, garantindo condições mais adequadas ao comportamento natural dos animais e reduzindo potenciais riscos".

A Ordem concorda com o reconhecimento das famílias de acolhimento temporário, propondo critérios claros para a seleção e o enquadramento destas famílias.

Relativamente ao papel das associações zoófilas, a OMV refere que as associações devem complementar a atuação das autarquias, e não substituí-las enquanto responsáveis da gestão dos animais sem donos.

Os especialistas também concordam com a proibição de programas CED (Captura, Esterilização e Devolução) em locais onde possam prejudicar a biodiversidade, como habitats de vida selvagem e determinadas zonas protegidas.

Relativamente à identificação de gatos esterilizados, a Ordem defende a manutenção do corte da extremidade da orelha dos gatos submetidos a CED.

Pedro Fabrica refere que a Ordem defende uma estratégia regional ou nacional com metas para a esterilização e controlo populacional. Afirma, contudo, que a esterilização não resolve, por si só, a prevenção do abandono, e que é necessário apostar na fiscalização e defender maior rapidez na aplicação de coimas e sanções.

No entanto, o bastonário manifesta reservas quanto à criação de plataformas regionais separadas para criadores, defendendo a centralização da informação no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC).

Não se opõem à eliminação da taxa de licenciamento

Quanto à proposta do PAN/Açores, quanto à alteração da proposta da identificação dos animais de companhia e a criação do sistema de informação de animais de companhia, os especialistas não se opõem à proposta de eliminar a taxa de licenciamento, mas referem que poderá reduzir o contacto regular dos detentores com as juntas de freguesias, dificultando o conhecimento do número de animais existentes no território.

Caso a taxa seja mantida, defendem que a receita deverá ser destinada à gestão dos animais de companhia, para não ser uma fonte de rendimentos para as juntas de freguesia.


PUB

Cabaz alimentar de 25 produtos com preços vigiados em São Miguel diminuiu mais de quatro euros entre agosto e setembro, passando a custar 144,41 euros, segundo dados de monitorização da DREC