Açorianos We Sea estreiam-se com álbum de 'synth pop' com sotaque "Basbaque"


 

AO Online/ Lusa   Cultura e Social   9 de Jun de 2019, 19:59

“Basbaque” é o primeiro álbum dos açorianos We Sea, banda micaelense que quer divulgar o seu 'synth pop' com sotaque, e resulta de uma seleção de temas desenvolvidos ao longo de três anos.

Clemente Almeida e Rui Rofino são os elementos permanentes dos We Sea, uma banda que surgiu da necessidade de os dois amigos fazerem música juntos, depois da formação anterior a que pertenciam, os Broad Beans, ter terminado, e à qual se vão juntando outros membros, conforme as exigências das atuações ao vivo.

A composição musical é feita pelos dois, mas é Rofino quem escreve as letras. Para atuarem ao vivo, chamam, normalmente, Luís Barbosa para assumir a guitarra, Dino Oliveira para a bateria, Pedro Silva que serve o baixo e as teclas, e Luís Sousa para o baixo, mas também já atuaram em duo, num formato acústico.

Os dois amigos, que se juntavam frequentemente na garagem para fazer música, começaram a levar o projeto a sério quando, em 2016, foram convidados pela 'cantautora' Sara Cruz para uma atuação ao vivo no festival Woodstocking Azores, em que atuaram, também, o saxofonista Luís Senra e Triki Blues Experience.

“Aquilo colocou pressão para começarmos a fazer música. Já não podia ser só juntarmo-nos na garagem a brincar com sintetizadores, tínhamos mesmo que fazer músicas”, explicou à Lusa Clemente Almeida.

Daí “surgiram logo três ou quatro canções” e deu-se “o início oficial do projeto”. Ao fim de um ano, já tinham criado “sete ou oito canções, já dava para tocar durante uma hora ao vivo”.

“Depois acontece uma coisa extraordinária nos Açores, que é o [festival] Tremor, que, pela primeira vez, dá oportunidade a bandas de originais, açorianas, mais fora do normal nos Açores – que é o metal e as bandas mais comerciais – de começar a tocar ao vivo e mostrar a outras pessoas, sem ser os nossos amigos e aqueles que vão sempre a todo o lado”, afirmou o músico.

Foi depois da primeira atuação no festival, em 2017, na qual Clemente não esteve presente, que sentiram a necessidade de gravar o seu reportório, porque perceberam que “o verdadeiro cartão de visita de uma banda é um disco”.

“Basbaque”, o primeiro álbum de originais da banda, foi gravado durante o verão e lançado em maio e resulta de uma seleção do repertório com “maior coesão”, no qual revelam uma “identidade, que foi evoluindo ao longo de três anos”.

Descrevem a sua música como 'synth pop', por ser “a cena mais abrangente, mas sem comprometer o suficiente”, já que têm “músicas que são jazz” e até “uma, que é techno, quase”.

Os temas que cantam “podiam ser escritos aqui, como noutra parte qualquer do mundo”, confessa Clemente Almeida, acrescentando que as letras de Rofino se servem de alguns “coloquialismos e é isso que, se calhar, dá aquele toque de açorianidade”.

Esse toque chega, também, no sotaque, que traz “genuinidade” à música dos We Sea.

“Não é uma coisa que façamos de propósito e também não é uma coisa que queiramos perder. É o que é”, prosseguiu o músico.

Acredita que as diferentes pronúncias “só enriquecem a música portuguesa”, e não quer que se percam “pequenas coisas, nuances e cantarolares da nossa pronúncia”.

Depois do início oficial da banda, na edição de 2016 do Woodstocking Azores, Clemente Almeida, estudante do último ano de Medicina, na Universidade de Coimbra, e Rui Rofino, que está no último ano de Psicologia, na Universidade dos Açores, foram atuando em bares locais.

Desde então, atuaram duas vezes no Festival Tremor, a primeira, em 2017, em nome próprio, e, este ano, apresentaram o resultado da residência artística com o músico Pedro Lucas.

Desse trabalho, “para além das canções de que nos orgulhamos imenso – pensamos até na possibilidade de gravá-las –, ficou a amizade”, admitiu Clemente Almeida.

Agora, querem levar o seu trabalho mais longe, um caminho que preveem difícil, ainda que “as coisas estejam a melhorar” para os artistas açorianos.

“As pessoas já olham para isto doutra forma, para lá dos lavradores e de um sítio bonito para passar férias, e começam a olhar para isto como um sítio onde acontecem coisas. Mas acho que falta um bocado de apoio, de arriscar…”

Sem grandes expectativas, mas com muita vontade, os We Sea são, “simplesmente, uma banda de músicos, que, por acaso, são açorianos” e que querem levar a sua música a quem os “quiser ouvir”.



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