Açoriano Oriental
Açores/Eleições: Oposição pede fim de maioria absoluta socialista, PS aceitará vontade do povo

A oposição nos Açores pediu esta sexta feira o fim da maioria absoluta do PS nas eleições deste mês, com o chefe dos socialistas e atual presidente do executivo a dizer que o que decidirá tudo será a "vontade do povo".

Açores/Eleições: Oposição pede fim de maioria absoluta socialista, PS aceitará vontade do povo

Autor: AO Online/ Lusa

A RTP/Açores transmitiu hoje um debate entre os líderes de 11 das 13 forças partidárias que concorrem às eleições deste mês, tendo estado ausentes o Livre e o Partido da Terra.

A governação do PS, que lidera a região desde 1996, e em maioria absoluta desde 2000, foi o primeiro dos temas abordados pelo jornalista Herberto Gomes.

Pelo PSD, maior partido da oposição, o candidato a chefe do executivo, José Manuel Bolieiro, reclamou uma "alternância de poder" e assinalou que "mudar de governo é bom em democracia", e não há que ter "medo" de serem postos em causa "direitos ou liberdades"

Já pelo CDS-PP, o líder regional do partido, Artur Lima, lembrou que "são eleitos deputados e não presidentes do governo", e recordou o executivo de 1996, de maioria relativa, com apoio do CDS, que promoveu "a maior descida de impostos nos Açores".

Carlos Furtado, presidente do Chega na região, pediu por seu turno a união do povo açoriano e a redução de deputados na Assembleia Legislativa - atualmente são 57 os eleitos -, defendendo que "nenhum governo sozinho conseguirá elevar os padrões de vida nos Açores se não tiver a envolvência do povo".

Pelo PPM, o deputado Paulo Estêvão, que concorre pelo Corvo, chamou a atenção para o que diz serem os defeitos de uma governação tão longa, onde há um "domínio da administração regional" e "empresas e pessoas dependentes" do executivo e do partido que o suporta.

Nuno Barata, candidato da Iniciativa Liberal por São Miguel, assinalou que "um deputado pode fazer toda a diferença", acrescentando que o parlamento dos Açores "deve ser acarinhado" e não "achincalhado", num exercício que "limita a democracia e a liberdade de ação".

Pelo partido Aliança, Paulo Silva, candidato pela Terceira, valorizou as escolhas que fez nas listas do partido, e abordou a covid-19, onde o Governo Regional, disse, esteve bem, mas teve também os "políticos da oposição" a contribuírem no combate à pandemia.

À esquerda, o coordenador do Bloco nos Açores, António Lima, sinalizou que "quase todos os dias" há "membros do Governo a fazer inaugurações, meter primeiras pedras [em obras], visitas a obras que decorrem dentro da normalidade", num "tique" criticável das maiorias absolutas.

Marco Varela, pela CDU (que junta PCP e Os Verdes), defendeu que as "maiorias absolutas não são boas para a democracia", e deu como exemplo os recentes apoios dos parceiros de esquerda ao PS no anterior Governo de António Costa, em que "foi possível interromper uma política de baixos salários" e de "retirada de direitos aos trabalhadores".

Pelo PAN, Pedro Neves defendeu uma "dinâmica diferente, mais forte", no hemiciclo açoriano, referindo que os 24 anos de poder no PS demonstram nesta fase "um pouco de desleixo" devido à "falta de negociação com os outros partidos".

Pedro Leite Pereira, número três da lista do PCTP/MRPP por São Miguel, teceu durante o debate na RTP/Açores diversas críticas ao capitalismo e aos seus modos de produção, dizendo que PS e PSD governaram, desde a fundação da autonomia, "contra os Açores", nomeadamente por via do recurso a precariedade laboral.

Vasco Cordeiro, presidente do Governo dos Açores e candidato a um novo mandato pelo PS, lembrou que se vivem "tempos verdadeiramente extraordinários" e "depende de cada um dos açorianos dar força à autonomia e aos Açores, qualquer que seja a sua opção de voto".

Sobre as críticas às maiorias absolutas socialistas, o líder do PS/Açores apontou os grandes índices de aprovação de textos parlamentares com "mais que um partido" a votar favoravelmente, e declarou ainda que o povo é que decidirá entre uma maioria relativa, uma maioria absoluta ou uma derrota do PS nas eleições de dia 25.

Nas anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra 30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do CDS-PP (quatro mandatos).

O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.

Nas eleições regionais existe um círculo por cada uma das nove ilhas mais um círculo regional de compensação que reúne os votos que não foram aproveitados para a eleição de parlamentares nos círculos de ilha.

O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.



 
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