Acesso Cultura destaca trabalho do Tremor junto da comunidade surda

Acesso Cultura destaca trabalho do Tremor junto da comunidade surda

 

AO Online/ Lusa   Cultura e Social   20 de Jun de 2019, 03:05

Acesso Integrado, que abrange as vertentes física, social e intelectual, foi esta sexta feira atribuído ao Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, revelou à agência Lusa a Acesso Cultura - Associação Cultural, que fez do Tremor um bom exemplo de integração de comunidades específicas.

De acordo com a organização dos prémios, cuja cerimónia decorreu ao fim da tarde de hoje no Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, foram entregues quatro prémios e duas menções honrosas.

Foram ainda entregues o Prémio Acesso Cultura - Acesso Social e Intelectual à Ondamarela (Guimarães), e dois Prémios Acesso Cultura – Acesso Social à Associação de Dança e Desenvolvimento Social de Leiria, pelo projeto “SOMA” (Leiria), e ao Espaço t – Associação para o Apoio à Integração Social e Comunitária, pelo projeto “Palcos para a Inclusão” (Porto).

Também foram entregues duas menções honrosas à Sociedade Artística Musical dos Pousos pelo projeto “Ópera na Prisão” (Leiria), e ao Museu Henrique e Francisco Franco (Funchal), pelas medidas inclusivas.

Este ano, foram recebidas 31 candidaturas e aceites 29, aos prémios Acesso Cultura, que distinguem boas práticas na área da acessibilidade cultural em todo o país.

De acordo com a organização, os projetos apresentados na edição de 2019 "foram reveladores de iniciativas dinamizadas em todo o território nacional, que se destacam pela consciência social e pela valorização humanística e comunitária da cultura nas sociedades do presente".

De acordo com os textos justificativos do júri, o Prémio Acesso Cultura 2019 – Acesso Integrado (físico, social, intelectual) foi atribuído ao Museu Nacional de Machado de Castro, que "transformou a responsabilidade legal em identidade própria, que lhe merece distinção e louvor".

"Com significativo historial de inovação, o Museu Nacional de Machado de Castro é um caso exemplar, onde medidas técnicas e projetos culturais cumprem o objetivo de acesso à cultura consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos e plasmado na Constituição da República", sustenta o júri.

Referindo-se ao "longo historial" de projetos de acessibilidade física, intelectual e social, que se complementam ao longo de vários anos, o júri deu como exemplo os dedicados a públicos com deficiência visual, jovens reclusos, pessoas com perturbações cognitivas e cuidadores informais, pessoas sem-abrigo e mulheres em reinserção, e pessoas com perturbações do espetro do autismo.

Quanto ao Prémio Acesso Cultura 2019 - Acesso social e intelectual, atribuído à Ondamarela, diz respeito a projetos que "apelam à participação efetiva das populações nas atividades artísticas guiadas, que cruzam o conhecimento académico com a experiência vivencial".

"Trata-se de atividades que estabelecem uma nova relação entre as comunidades e o bem patrimonial, fruto de residências artísticas, que formam uma ponte entre comunidades específicas e a criação artística", indica o júri.

Dão como exemplo o projeto que desenvolveu com o Festival Tremor, nos Açores, no caso da comunidade surda.

Quanto ao Prémio Acesso Cultura – Acesso Social atribuído ao Espaço t – Associação para o Apoio á Integração Social e Comunitária pelo projeto “Palcos para a Inclusão”, o júri destacou-o por "estimular as capacidades expressivas e o desenvolvimento próprio, bem como a aceitação da diferença pela sociedade".

O projeto “Palcos para a Inclusão” é um trabalho artístico desenvolvido e realizado pelos alunos do Espaço T - pessoas com deficiência física ou mental - e apresentado a crianças, jovens e adultos em diversas situações de vulnerabilidade social, residentes em bairros ou habitações sociais nos concelhos do Porto, Trofa e Maia.

O Prémio Acesso Cultura – Acesso Social foi entregue à Associação de Dança e Desenvolvimento Social de Leiria, com o projeto “SOMA”, pelo seu trabalho na área da dança inclusiva.

"O projeto SOMA adquiriu um lugar exemplar nas práticas que promovem o acesso à cultura a pessoas com deficiência física e intelectual, e às comunidades locais. Desde 2014, proporciona o desenvolvimento de competências e, por via de protocolo com várias entidades, chega a diversos públicos: crianças em risco psicossocial ou em situação de vulnerabilidade social; crianças com multideficiência; jovens e adultos com deficiência visual e intelectual; e ainda, a população sénior institucionalizada", explica a organização.

Este projeto oferece aulas gratuitas de dança inclusiva, onde pessoas com e sem deficiência podem participar na criação e interpretação que culmina em espetáculos da comunidade.

Quanto à Menção Honrosa para a Sociedade Artística Musical dos Pousos, em Leiria, pelo projeto “Ópera na prisão”, a Acesso Cultura recorda que aquela entidade é uma instituição de utilidade pública fundada em 1873 e, para além da Filarmónica, corpo histórico da instituição, de uma Escola de Artes com ensino oficial de música, e de várias formações corais e instrumentais, desenvolve, em parceria com diversas instituições e órgãos do Estado, um conjunto de programas nos âmbitos da formação, musicoterapia e terapias expressivas.

O júri destacou que o projeto "Ópera na prisão" "tem vindo a ser desenvolvido desde 2004 de uma forma regular e sustentada, e que foi pioneiro a nível nacional, constituindo-se como referência".

"Este projeto assume uma forte intervenção social através dos vários programas que desenvolve no âmbito dos efeitos terapêuticos das artes", acrescenta.

Depois de ser distinguido em 2016 com um prémio de acessibilidade social, o júri dos Prémios Acesso Cultura volta a distinguir este projeto, através de uma menção honrosa, visando "o reconhecimento da continuidade deste projeto".

No quinto ano desta nova fase, o foco de "Ópera na Prisão" incidiu sobre as famílias dos reclusos.

Outra menção honrosa foi entregue ao Museu Henrique e Francisco Franco, no Funchal, que tem vindo a promover a divulgação e estudo das obras dos irmãos madeirenses modernistas que dão nome ao espaço museológico: o pintor Henrique Franco e o escultor Francisco Franco.

A Acesso Cultura salienta as várias iniciativas relacionadas com o serviço educativo e com a promoção de artistas plásticos locais, permitindo-lhes acesso aos recursos institucionais "que estimulam e fomentam o gosto pela arte e a consciência patrimonial, envolvendo visitas guiadas, atividades temáticas e ateliers de expressão plástica".

O júri valorizou "as medidas inclusivas implementadas no espaço do museu, que se revelam facilitadoras no acesso aos conteúdos através da instalação de sistemas de áudio e vídeo-guias, que possibilitam a visita autónoma aos visitantes com deficiência visual, graças à áudio-descrição, ou aos visitantes surdos, com a interpretação em Língua Gestual Portuguesa".

O júri dos Prémios Acesso Cultura foi composto por Nuno Santos, responsável pela acessibilidade no Teatro São Luiz, em Lisboa, Paula Varanda, investigadora e gestora cultural, membro da Acesso Cultura, e pela arquiteta Susana Machado.

O anúncio dos prémios está inserido na Semana Acesso Cultura 2019, que está a decorrer até domingo em dez cidades do país, para abrir ao público bastidores de espaços culturais, realizar debates e entregar prémios de boas práticas na área da acessibilidade.

Até domingo, haverá atividades em museus, palácios, teatros e outros espaços culturais nas cidades de Águeda, Coimbra, Funchal, Leiria, Lisboa, Porto, Sever do Vouga, Sintra, Torres Novas e Vila Nova de Famalicão.

Ao longo dos últimos seis anos, a Acesso Cultura tem vindo a promover iniciativas, desde ações de formação a debates, assim como as chamadas "Sessões Descontraídas", de teatro, dança, cinema ou outro tipo de oferta cultural, que decorrem numa atmosfera "com regras mais tolerantes" quanto "a movimento e barulho na plateia", dirigidas a públicos com necessidades especiais.

A associação trabalha em regime de voluntariado e com parcerias para promoção do acesso físico, social e intelectual à participação cultural.



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