“A ajuda tem chegado e não há palavras para agradecer ao povo português. Tem sido extremamente inspirador ver como pessoas de outras nacionalidades se mobilizaram, de coração, para ajudar o meu país, para ajudar quem mais necessita”, diz uma voluntária à agência Lusa.
Bárbara Clisanchez, paramédica e voluntária da fundação “Vuela Venezuela” (Voa Venezuela), recorda que a situação local “tem sido extremamente trágica, que há quem perdeu tudo, inclusive os parentes”.
Das vítimas, ouve “histórias verdadeiras, muito, muito tristes”.
“E, ver como o povo português se mobilizou para fazer-se sentir e ajudar da forma possível, e fazer chegar essas ajudas, é comovente. Ensina-nos que não estamos sozinhos, que todos ‘somos só um’”, diz, sublinhando que a ajuda de Portugal dá “esperança, ânimo, e mostra às pessoas afetadas que não estão sozinhas”.
Clisanchez explica ainda que passados três meses do duplo sismo, tem também ouvido história que são um exemplo de resiliência, em La Guaira, o estado mais afetado do país.
“São [gente] muito resiliente e agradecida e isso inspira-nos. Chegamos, sabemos o que aconteceu, as dificuldades que vivem”, mas ainda assim estão “com o ânimo dos ‘guairenhos’, de gente sempre disposta a ajudar, e que apesar das suas dificuldades e necessidades têm sempre um sorriso e dizem ‘obrigado’”, diz.
No entanto, conta, os voluntários notam também “um vazio e o desespero dos que pensam que ainda têm muito por enfrentar”.
“Mas são simpáticas. E já vi pessoas que passaram por muito a perguntar em que podem ou como podem ajudar-nos e isso é também inspirador para nós”, diz.
Clisanchez alerta que três meses depois do duplo sismo, no terreno, a tragédia continua latente com casas destruídas, famílias sem teto, comunidades sem serviços básicos e muitas carências.
“Entregamos ‘kits’ de higiene pessoal e alimentos não perecíveis às comunidades mais vulneráveis, mas haverá sempre necessidade de mais ajuda porque não é suficiente para dar resposta a todas as necessidades que existem”, diz.
Precisa ainda que a “Vuela Venezuela” tem organizado missões médicas de cuidados a crianças e adultos durante as quais entregam também medicamentos e fazem acompanhamento a pessoas em situação de vulnerabilidade, para que saibam “que não estão sozinhas e que contam com uma enorme rede de gente que os apoia”.
O duplo sismo de 24 de junho causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela: Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.
Após o sismo, o Governo português apoiou a Venezuela e a população venezuelana e luso-venezuelana principalmente com ajuda humanitária de emergência, apoio financeiro a entidades sociais e reforçou a presença consular de apoio à comunidade.
A ajuda incluiu duas ambulâncias, ferramentas para remoção de escombros e apoio de busca e salvamento. A Força Operacional Nacional Conjunta (FOCON) foi mobilizada para operações de emergência e a Força Aérea transportou parte dos bens.
Houve ainda duas doações importantes de medicamentos: uma de oito toneladas e outra de três toneladas, incluindo antibióticos, analgésicos, antipiréticos e fármacos para doenças crónicas.
Por outro lado, a Associação Amigos da Diáspora e os Emigrantes Madeirenses (AADEM) coordenou o envio de 10 contentores com 240 toneladas de alimentos, medicamentos, produtos médicos e de higiene pessoal, recolhidos pela sociedade civil em Portugal.
Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos depois dos sismos.
Entre as vítimas mortais, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.
