Vinho é produto de investimento sem risco e com retorno elevado


 

Lusa / Ao online   Economia   4 de Nov de 2007, 10:25

O vinho já é um produto de investimento, a par de alternativas financeiras, mas praticamente sem risco, e os portugueses podem contar com a Vino Invest para aconselhamento e oferta de retorno que pode atingir 50 por cento.
    Em declarações à agência Lusa, o director da Vino INvest, Paulo Martins, empresa com sede em Londres e Lisboa, onde chegou em Janeiro, salienta esperar que o mercado português seja um sucesso e aponta como objectivo atingir cerca de 200 clientes em cinco anos.

    Desde que iniciou actividade, em Setembro de 2005, a empresa já facturou cerca de dois milhões de euros, mas quanto a uma previsão para valores de investimento de clientes portugueses em vinhos, no futuro, Paulo Martins é cauteloso e afirma ser difícil fazer uma estimativa.

    Para já, a Vino Invest, que actua também na Irlanda, conseguiu à volta de seis clientes no mercado nacional, e um deles firmou um contrato para 10 anos comprometendo-se a investir cinco milhões de euros por ano em vinhos.

    O rendimento que um investidor pode tirar da compra de vinhos raros e de qualidade, nomeadamente da região de Bordéus, é muito variável, "depende do tipo de vinho e dos seus anos de vida, mas também do tempo do investimento", e em 2006 situou-se entre 12 e 222 por cento, com uma média de 50,73 por cento.

    "Nos últimos 18 meses, o retorno conseguido com o vinho Ausone 01, de Pomerol, em Bordéus, foi de 285 por cento", explicou Paulo Martins.

    O vinho de alta qualidade é apresentado pela empresa de consultadoria como um produto de investimento inovador e inexistente em Portugal, com "um risco mínimo" e com "um crescimento anual superior a 20 por cento".

    Na sua brochura, a Vino INvest explica que a procura mundial dos melhores vinhos e a consequente subida dos seus preços torna este mercado muito atractivo, "possibilitando ao investidor a criação de riqueza e o aumento do seu registo de activos de uma forma segura, mesmo que surjam recessões económicas".

    Paulo Martins faz questão de realçar que o mercado internacional de vinho de qualidade vale cerca de 1,3 mil milhões de euros, mas está em crescimento, principalmente em zonas como Japão, América Latina, Rússia ou China.

    O vinho já está presente em várias formas de investir, como fundos de investimentos ou mesmo bancos que apostam em vinho em nome dos seus clientes.

    Portugal ainda é "um mercado emergente como origem de investimento em vinho", mas o director da Vino Invest acredita que o número de interessados em apostar num produto cuja valorização não é influenciada pelo comportamento dos mercados financeiros, pelas taxas de juro ou pelas crises económicas vai aumentar, sendo uma forma de diversificar os investimentos.

    Com cerca de 90 por cento da sua carteira de produtos oriundos de Bordéus, onde a produção é limitada, a Vino Invest actua como agente e encontra vinhos para os seus clientes, através de fornecedores.

    Além disse, aconselha, dá informação acerca do mercado e dos próprios vinhos, sendo depois intermediário na transacção, além de transportar e inspeccionar a qualidade do produto.

    Após o contrato com a Vino Invest, e a compra do produto escolhido, segue-se a oficialização da relação com a empresa responsável pelo armazenamento do vinho, a Octavian, situada no sul da Inglaterra, através da abertura de uma conta privada.

    Os vinhos têm de ter alta qualidade, ser produzidos em baixas quantidades, mas as suficientes para ter um mercado internacional, reunir determinadas características e ter uma vida longa, "de 30 anos ou mais", explica Paulo Martins.

    No entanto, não deixa de esclarecer que aquele número de anos pode ser variável, consoante o tipo de investimento que se pretende (a mais longo prazo ou a médio).

    Depois, "as condições de conservação são fundamentais, ou seja, a forma como é feito o armazenamento", por isso se justifica o conselho de o vinho seguir para a Octavian e não para a adega ou garrafeira do investidor.

    Os preços destes vinhos de alta qualidade atingem facilmente mais de mil euros a garrafa, segundo Paulo Martins.

    A estratégia da empresa para Portugal é diferente daquela adoptada no Reino Unido, onde já existem consultoras deste tipo há muitos anos, e a opção é "dar um serviço abrangente e personalizado" pois a meta é ter "bons clientes, mas não muitos", não devendo ultrapassar os 200, em cinco anos, acrescenta o director.

    Quanto ao momento certo para vender o produto de investimento vinho e obter mais valias, Paulo Martins explica que tem de atender-se às condições de mercado internacional, mas o cliente também pode ter a iniciativa de alienar e faze-lo sem penalização.

    No entanto, o conselho é manter o produto pelos menos três anos, antes de vender.
Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.