Venezuelanos de novo nas urnas a 22 de Novembro


 

Lusa/AOonline   Internacional   20 de Nov de 2008, 11:25

As eleições regionais de 23 de Novembro próximo na Venezuela surgem num momento em que se questiona o impacto da crise financeira mundial, especialmente pela queda do preço do petróleo, principal e quase único produto de exportação da Venezuela.
A poucos dias das eleições regionais e municipais de 23 de Novembro, o preço médio do petróleo venezuelano situa-se nos 46,35 dólares por barril, menos de metade dos 95,07 dólares que se registava há um ano, e já muito distante do recorde nacional de 132,53 dólares de Julho passado.

    O governo do Presidente Hugo Chávez, que num primeiro momento afirmou que o país não seria afectado pela crise financeira global, reconheceu que os problemas da economia internacional também vão atingir a Venezuela, especialmente pela queda dos preços do petróleo. A Venezuela é o quinto exportador mundial de petróleo.

    O executivo venezuelano sublinhou a necessidade de "austeridade" para 2009, ainda que tenha garantido que não se reduzirão os programas sociais que estimulam a sua "revolução bolivariana".

    Estas eleições, as 14ª numa década, celebram-se, para mais, num contexto de excessiva inflação, que pode fechar o ano acima dos 30 por cento, enquanto não se resolve o clima de insegurança, principal preocupação dos cidadãos, segundo as pesquisas de opinião.

    O problema da delinquência afecta sobretudo a população das grandes cidades, como Caracas, Maracaibo ou Valencia.

    "Que a gente não viva como um pássaro enjaulado", propôs o candidato da oposição a prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, numa entrevista recente à agência EFE.

    Para Ledezma, ex-prefeito da capital na passada década, o clima de delinquência é "fruto da impunidade e da corrupção que têm criado metástases nos corpos policiais".

    "Para os venezuelanos, a violência é vista quase como uma doença endémica, associada à pobreza, e, surpreendentemente, não responsabilizam o governo (por isso)", afirmou o director da empresa de sondagens Datanálisis, Luis Vicente León.

    Vicente León considerou que não existe um suposto cansaço dos eleitores venezuelanos por serem convocados anualmente para processos eleitorais.

    "Tanto na oposição como no 'oficialismo' (simpatizantes de Hugo Chávez) o povo está totalmente disponível para votar", disse, em alusão aos venezuelanos que parecem ter assumido uma rotina de eleições anuais e uma campanha quase permanente dos partidos.

    Há praticamente um ano os cidadãos votaram num referendo sobre a proposta de reforma constitucional impulsionada por Chávez, que se viu derrotado e marcou a primeira derrota eleitoral do Presidente desde a sua chegada ao poder há quase uma década.

    Esta derrota, a somar aos problemas de abastecimento de alimentos de primeira necessidade nos primeiros meses de 2008, causou uma queda da popularidade de Chávez, que recuperou na segunda metade do ano, atingindo agora os 60 por cento.

    Ainda assim, a preocupação dos cidadãos pela insegurança, a crescente inflação e as denúncias de corrupção em diversas províncias do país podem ser nefastas para a eleição de pró-governamentais nas eleições regionais de 23 de Novembro.

    O analista Luis Vicente León frisa que o Presidente venezuelano sabe que "não há revolução sem Chávez" e que necessita de "uma simbólica vitória eleitoral", mesmo que em eleições locais.

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