Vacina contra a gripe A não provoca doença


 

Lusa/Ao On line   Nacional   18 de Out de 2009, 07:24

A vacina contra a gripe A, que começa a ser administrada aos portugueses no dia 26, é feita com o H1N1, mas quem a produz garante que é “segura” e não transmite a doença, porque o vírus está “morto”.

Apesar da garantia de segurança, ainda há quem manifeste reticências, e até há quem diga que prefere não se vacinar para não receber o vírus.

Em entrevista à agência Lusa, a farmacêutica Ana Rita Caramelo, da empresa que produz a vacina encomendada por Portugal, explicou que este é um produto seguro, apesar de incluir o temido H1N1 na sua composição.

“O vírus da gripe pandémica utilizado na vacina não irá provocar a doença, porque é um vírus inactivado, está morto e nunca irá infectar a pessoa”, garantiu esta técnica da GlaxoSmithKline (GSK).

A especialista assegura ainda que a vacina é produzida através de uma tecnologia idêntica à da gripe sazonal.

“Recebemos o vírus e, a partir daí, iniciamos um processo de fabrico, que passa por colocar o vírus em ovos para inocular (desenvolver)”. Depois “o vírus é retirado, filtrado, purificado, fragmentado e inactivado. O vírus é completamente morto, sofrendo depois filtrações até termos a substância activa”.

O passo seguinte é juntar “os restantes constituintes e fazer a formulação final, que é colocada em frascos na quantidade necessária”.

O processo é complicado e, principalmente, demorado, razão por que o laboratório não consegue responder a todas as encomendas.

A pandemia foi declarada em Abril. Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou qual a estirpe pandémica e, no final de Maio, enviou para as fabricantes de vacinas a estirpe pandémica. A partir daí, as farmacêuticas começaram a desenvolver o seu processo de fabrico.

Os ensaios clínicos iniciaram-se no final de Agosto. O produto foi testado em 130 indivíduos, com idades entre os 18 e os 60 anos, que revelaram “resposta imunológica” à vacina 21 dias após a vacinação.

Foram resultados “muito bons”, segundo Ana Rita Caramelo, que explica: “Permitiram-nos saber que a vacina induz resposta imunológica, ou seja, que os indivíduos vacinados tinham protecção contra o vírus pandémico”.

Os testes vão continuar, estando previstos mais 15 ensaios clínicos em 9000 pessoas.

As reacções adversas identificadas são as registadas “em qualquer vacina”, segundo esta farmacêutica da GSK: “dor de cabeça, reacções no local da injecção, como dor e vermelhão, febre ou fadiga”. Mas "nem todos terão estes efeitos secundários”.

Actualmente, os profissionais de saúde estão a receber formação deste laboratório para administrarem a vacina, que chegará em dois frascos: um tem um líquido incolor com a substância activa e o outro um líquido esbranquiçado com o adjuvante, que é uma substância que visa aumentar a resposta do organismo à vacina.

“O profissional de saúde irá juntar o conteúdo dos dois frascos e administrar a cada pessoa, na parte superior do braço, através de uma injecção por via muscular”, explicou Ana Rita Caramelo.

Portugal encomendou seis milhões de doses de vacinas para administrar a três milhões de pessoas, que receberão duas doses cada. Esta encomenda custou ao Estado português 45 milhões de euros.

A GSK assumiu já compromissos com 22 Governos para o fornecimento de 440 milhões de doses de vacinas.

Além desta vacina, está disponível uma outra, produzida pelo laboratório Novartis.

 


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