Última curva para o CPR: Azores Rallye precisa de resposta do Governo Regional

Luís Pimentel - Presidente do Grupo Desportivo Comercial




Passadas algumas semanas da sua realização, que balanço faz da 59.ª Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye? Os objetivos que traçaram foram alcançados?
O balanço é claramente positivo e consideramos que os principais objetivos foram alcançados. Acima de tudo, realizámos uma prova que decorreu dentro da normalidade e sem problemas de segurança, que é sempre a principal preocupação da direção do Grupo Desportico Comercial (GDC) e de toda a equipa técnica.
Foi também uma edição importante para demonstrarmos a capacidade organizativa do clube e aquilo que podemos fazer no futuro. Sabíamos que esta prova estava a ser particularmente observada, tendo em conta a candidatura ao Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) em 2027, e procurámos corresponder a essa responsabilidade.

Que feedback recebeu o GDC de pilotos, equipas e comissários?
O feedback que recebemos foi, de uma forma geral, muito positivo. Naturalmente, numa prova desta dimensão existem sempre aspetos que podem ser melhorados e sabemos também que é impossível criar um figurino que agrade a todos.
Mas pilotos, equipas, oficiais e as várias pessoas envolvidas na organização transmitiram-nos uma avaliação muito positiva. Recebemos igualmente algumas sugestões, que encaramos com toda a abertura, porque as críticas construtivas ajudam-nos a melhorar.
O tempo também esteve do nosso lado e permitiu obter imagens extraordinárias dos troços e das paisagens de São Miguel. Isso é muito importante porque um rali desta natureza não é apenas competição: é também uma montra da nossa ilha e dos Açores.

Como avalia o comportamento do público ao longo dos dois dias do rali?
O público esteve muito bem. Sentimos que as pessoas estão novamente a querer fazer parte desta festa e isso, para nós, é muito importante. Vimos muito público nos troços, corretamente posicionado e a respeitar as indicações de segurança, mas vimos também muita curiosidade e muitas perguntas sobre o futuro da prova. Isso demonstra que existe vontade de voltar a ver este rali crescer. Quero, por isso, aproveitar esta oportunidade para, em nome da direção do GDC, dar os parabéns e agradecer ao público. E deixar também um apelo: continuem do nosso lado. O público é uma parte fundamental do Azores Rallye e precisamos de todos para devolver esta prova ao patamar que entendemos que merece.

Em que ponto está a candidatura da prova ao calendário do  CPR de 2027? O que foi abordado na reunião com a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK)?
A candidatura está feita, a avaliação da prova já é conhecida e, da parte do GDC, entendemos que demonstrámos que temos capacidade organizativa e técnica para integrar o CPR em 2027. O passo que falta prende-se essencialmente com a garantia das condições financeiras necessárias para colocar uma prova desta dimensão na estrada. É precisamente nesse sentido que já solicitámos reuniões às câmaras municipais e ao Governo Regional dos Açores. Precisamos de reunir as condições para transmitir à FPAK, de forma clara, que existe um compromisso das entidades parceiras que permita ao clube assumir a realização da prova no CPR.
Da nossa parte, estamos a fazer tudo aquilo que está ao nosso alcance para que o Azores Rallye esteja no CPR já em 2027.

Que critérios ou exigências a FPAK colocou, tendo em vista o ingresso da prova no CPR no próximo ano?
No essencial, aquilo que é necessário demonstrar é capacidade técnica, organizativa e financeira.
Na componente técnica e organizativa, estamos tranquilos quanto à capacidade do GDC e da sua equipa. Temos experiência, conhecimento, recursos humanos e uma estrutura que conhece profundamente esta prova.
A questão financeira é naturalmente determinante porque integrar o CPR implica um investimento substancialmente superior ao de uma prova exclusivamente regional. É por isso necessário assegurar antecipadamente que existem condições para assumir esse compromisso com responsabilidade.

Se a prova não integrar o CPR em 2027, o GDC tem um plano B? A prova manter-se-á com o mesmo formato?
Se, por alguma razão, a prova não integrar o CPR em 2027, o GDC continuará a fazer o seu trabalho, a organizar a prova da melhor forma possível e voltará a candidatar-se.
Mas não é esse o cenário em que estamos a trabalhar. O nosso objetivo é claro: queremos integrar o CPR já em 2027.
Temos condições técnicas e organizativas para o fazer e acreditamos que as entidades públicas e privadas compreenderão a importância deste projeto e estarão ao nosso lado. Existe um estudo de impacto económico realizado pela Universidade dos Açores que demonstra objetivamente o retorno que esta prova pode gerar para a economia regional e para a promoção dos Açores. Por isso, acreditamos que existem razões muito fortes para apoiar este regresso.

Qual é o custo estimado para organizar a prova inserida no CPR e quanto é que isso representa a mais face a hoje?
Organizar uma prova integrada no CPR representa um investimento significativamente superior ao de uma prova do Campeonato dos Açores de Ralis (CAR). Existem custos acrescidos com a logística associada à deslocação das equipas do continente, cujo valor varia naturalmente em função do número de equipas participantes, mas também com a promoção, comunicação, organização e todas as exigências associadas a uma prova de dimensão nacional.
Neste momento, estimamos que a integração no CPR possa representar um acréscimo superior a 200 mil euros relativamente aos custos de uma prova exclusivamente regional. É um investimento considerável e, precisamente por isso, necessita de uma base financeira sólida e de uma parceria efetiva entre o clube, as entidades públicas e os patrocinadores privados.

Que apoios financeiros considera indispensáveis e de quem espera recebê-los?
Contamos com as câmaras municipais, com os nossos parceiros privados e consideramos fundamental o envolvimento do Governo Regional dos Açores.
Uma prova desta dimensão ultrapassa claramente a vertente exclusivamente desportiva. Estamos a falar de um evento que movimenta pessoas, gera dormidas, restauração, aluguer de viaturas, consumo de combustíveis, comércio e serviços e, simultaneamente, promove a imagem dos Açores fora da Região.
Por isso, entendemos que deve existir um envolvimento transversal das entidades com responsabilidades no desporto, mas também no turismo e na promoção económica da Região.

Existem já compromissos assumidos por patrocinadores privados?
Temos parceiros que têm estado ao lado do GDC e aos quais somos profundamente gratos. Sem eles, muitas das iniciativas que desenvolvemos não seriam possíveis.
No entanto, também compreendemos que alguns patrocinadores estejam a aguardar pela decisão relativa à integração no CPR. A dimensão, a exposição mediática e o alcance de uma prova nacional são diferentes e permitem às empresas enquadrar de outra forma o investimento que fazem no evento.
Portanto, existe interesse, existem contactos e existem parceiros, mas há decisões que naturalmente dependem da definição do calendário e do posicionamento da prova em 2027.

Que estratégia têm para captar ou reforçar os apoios necessários à realização da prova?
A estratégia passa sobretudo por demonstrar o valor real do evento. Hoje não queremos pedir apoio apenas com base na história ou na importância desportiva do Azores Rallye. Temos dados que permitem demonstrar o seu impacto económico e mediático e queremos que os parceiros percebam que associar-se à prova é também associar-se a um evento com capacidade de gerar retorno e visibilidade.
Queremos igualmente criar relações mais duradouras com os nossos parceiros, públicos e privados, que permitam planear a prova com antecedência e construir um projeto sustentável, em vez de começarmos todos os anos praticamente do zero.

Como descreve neste momento a relação do GDC com as câmaras municipais da ilha de São Miguel?
A relação é boa e tem sido construída com base na confiança e no diálogo.
Naturalmente, existem municípios com maior disponibilidade financeira ou maior abertura do que outros, mas, de uma forma geral, sentimos que existe a compreensão da importância que a prova tem para São Miguel e do impacto que pode gerar nos diferentes concelhos por onde passa.
As câmaras municipais têm sido parceiros muito importantes do GDC e queremos continuar a aprofundar essa relação.

E com o Governo Regional? Que tipo de apoio tem sido dado e que apoio esperam para 2027?
Já solicitámos reuniões com o presidente do Governo Regional e com a secretária Regional do Turismo e apresentámos formalmente o pedido de apoio financeiro para a edição de 2027.
Ao longo dos anos, o GDC tem contado com o apoio da área governamental do Desporto e também com um apoio logístico imprescindível, nomeadamente na preparação dos pisos dos troços, que importa reconhecer. Mas, para devolvermos aos açorianos um Azores Rallye com dimensão nacional e, progressivamente, internacional, consideramos fundamental recuperar também o envolvimento da área do Turismo.
Apoiar o Azores Rallye é também apoiar a hotelaria, o alojamento local, a restauração, os rent-a-car, os postos de abastecimento, o comércio e muitas outras atividades económicas.
E há ainda uma componente promocional difícil de quantificar apenas através da despesa direta: equipas, jornalistas, adeptos e visitantes fotografam e filmam São Miguel, as Sete Cidades, a Tronqueira, as nossas paisagens, a gastronomia e a cultura e partilham esses conteúdos em Portugal e no estrangeiro. Conseguir uma exposição semelhante através de campanhas promocionais convencionais representaria também um investimento muito significativo.

Sente que o poder político encara a prova como um investimento estratégico para a promoção da Região ou apenas como mais um evento desportivo?
Nos últimos três anos sentimos que o Azores Rallye foi sobretudo enquadrado na sua vertente desportiva. No entanto, ao longo dos anos, responsáveis políticos regionais reconheceram publicamente o Azores Rallye como um instrumento importante de promoção dos Açores. Por isso, acreditamos que esse reconhecimento permanece.
Compreendemos que existam períodos de maior dificuldade financeira e prioridades que obrigam a fazer opções. O que esperamos agora é que, perante os dados que existem sobre o impacto económico e mediático da prova, o Azores Rallye volte a ser analisado não apenas enquanto evento desportivo, mas também enquanto instrumento de promoção turística e dinamização económica.

Como pode a prova contribuir para o turismo e a economia local, e como pretendem medir esse impacto?
Hoje já não falamos apenas de perceções. Temos números. O estudo realizado pela Universidade dos Açores sobre o impacto económico e o alcance mediático do Azores Rallye demonstra de forma clara a capacidade da prova para gerar retorno económico e projeção externa.
E existe um fator adicional muito importante: queremos realizar uma prova desta dimensão em época baixa. Isso significa criar procura num período em que a economia ligada ao turismo tem maior necessidade de estímulo, trazendo equipas, estruturas, jornalistas, adeptos e famílias e gerando movimento na hotelaria, alojamento local, restauração, rent-a-car, comércio e serviços.
Queremos continuar a medir esse impacto com dados concretos e tornar essa informação disponível, porque entendemos que também é nossa responsabilidade demonstrar aos parceiros públicos e privados aquilo que o investimento na prova devolve à Região.

Daqui a cinco anos, onde pretende ver a Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye?
Daqui a cinco anos gostaria de ver a Volta à Ilha de São Miguel by Azores Rallye integrada no CAR, no CPR e novamente no Campeonato da Europa de Ralis. E, naturalmente, quem vive os ralis sonha sempre mais alto. Seria extraordinário colocar os Açores no caminho de uma competição mundial. Mas temos consciência de que isso não depende apenas da vontade do GDC, da sua direção, da equipa técnica ou dos sócios. Depende também daquilo que a Região pretende para esta prova e do posicionamento que os Açores querem ter no panorama nacional e internacional do automobilismo.
O nosso caminho tem de ser feito por etapas: primeiro o CPR, depois recuperar a dimensão europeia. Temos uma prova, uma ilha e uma história que nos permitem ter essa ambição.

Que mensagem gostaria de deixar aos patrocinadores e às entidades públicas que ainda hesitam em apoiar a prova?
Diria que olhem para a Volta à Ilha de São Miguel, by Azores Rallye não apenas como uma despesa ou como o apoio a uma competição automóvel, mas como um investimento na Região.
Estamos a falar de uma prova com história, identidade e uma ligação muito forte aos açorianos, mas estamos também a falar de uma ferramenta de promoção turística e de dinamização económica.
O GDC assumiu o seu compromisso. Temos trabalhado para recuperar aquilo que esta prova representou, temos capacidade técnica e organizativa, temos uma equipa empenhada e temos um projeto para o futuro. Não estamos a pedir que acreditem apenas na nossa palavra: existem dados que demonstram o retorno que o Azores Rallye pode gerar.
Queremos voltar ao CPR em 2027 e queremos, progressivamente, recuperar a dimensão internacional da prova. Mas esse caminho não pode ser feito apenas pelo clube. Tem de ser um projeto partilhado pelo GDC, pelas entidades públicas, pelas empresas e pelos açorianos.
Apoiar o Azores Rallye é ajudar a colocar os Açores na estrada, na economia e nas imagens que percorrem o mundo. O GDC está preparado para fazer a sua parte e esperamos que todos aqueles que reconhecem o valor desta prova façam também a sua.


PUB

Método ROPA permite que uma mulher dê os seus óvulos e que a outra faça a gestação, numa forma de maternidade partilhada. A técnica é comparticipada pelo Serviço Regional de Saúde até aos 45 anos, mas a Meka Center denuncia atrasos nos pagamentos das entidades hospitalares. Ainda assim, a clínica garante que não há lista de espera.