Turismo e inclusão social em destaque no primeiro Orçamento Participativo dos Açores

Turismo e inclusão social em destaque no primeiro Orçamento Participativo dos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   14 de Ago de 2018, 20:00

A primeira edição do Orçamento Participativo dos Açores acolhe ideias em áreas como ambiente, inclusão social, turismo e juventude, atravessando as nove ilhas com propostas em votação até 30 de setembro.

A primeira fase, em que os cidadãos são convidados a apresentar antepropostas de projetos, terminou em abril, e de lá saíram, depois de submetidos a avaliação, os projetos que podem agora receber o apoio do Governo Regional para a sua concretização.

A votos estão 154 propostas que passaram o crivo da análise técnica pelos departamentos com competências em diferentes áreas e que vão agora ser submetidas à apreciação da população.

Dos projetos apresentados, 59 são da área da juventude, 40 de turismo, 28 de inclusão Social e 27 de ambiente.

Muitas das propostas prendem-se com a melhoria de infraestruturas existentes, com a criação de novos espaços ou com a aquisição de equipamentos que permitam favorecer o uso dado aos espaços.

Há também várias propostas de projetos de formação, 'workshops' ou programas extracurriculares em diversas áreas, embora maioritariamente ligadas à juventude.

O investimento alocado para o primeiro Orçamento Participativo dos Açores é de 600 mil euros, tendo o executivo regional anunciado já que poderá reforçar essa verba.

No campo da juventude-cidadania, por exemplo, foi apresentada a proposta “Ser Maior”, do Programa de Apoio para Autonomia dos Jovens, que visa desenvolver nos jovens da ilha de São Jorge competências necessárias para uma vida autónoma.

O projeto propõe promover competências de gestão económica, pessoais, sociais e socioprofissionais, bem como incentivar “a participação de jovens no contexto geral em que estão integrados e fomentar conhecimentos das mais diversas áreas profissionais”.

Também a pensar na juventude, mas na área da inclusão social, o projeto “Inclusão e bem-estar: Instalação de sala Snoezelen na EBI da Horta” propõe a criação, na Escola Básica Integrada da Horta, no Faial, de uma sala Snoezelen, que permite “o desenvolvimento de práticas multissensoriais, mediante acompanhamento técnico apropriado, de forma a assegurar uma integração sensorial e relaxamento dos seus utilizadores”.

Este espaço estaria disponível também para os alunos da Escola Secundária Manuel de Arriaga, bem como para públicos de outras instituições.

No concelho da Ribeira Grande, em São Miguel, foi sugerida a adoção de “um código monocromático, sustentado em conceitos universais de interpretação e desdobramento de cores, que permita uma correta interpretação das cores” para as pessoas que sofrem de daltonismo.

Ainda no campo da inclusão social, a proposta “Uma praia para todos” defende a melhoria da acessibilidade à praia e das condições de utilização de instalações sanitárias por pessoas com deficiência motora, na ilha da Graciosa, incluindo com um reforço da utilização de equipamentos já existentes, como de cadeiras anfíbias.

O turismo é uma das áreas que mais propostas tem a concurso: na ilha do Pico, uma das iniciativas define trilhos instalados em árvores, destinados à prática de atividades lúdicas e desportivas. O projeto pretende melhorar a oferta turística da ilha, com a criação de um percurso de nível médio/avançado.

Na ilha Terceira, a proposta “Os Lagos de Linho” pretende recuperar e preservar o sítio de Lagos, na freguesia de Santa Bárbara, onde noutros tempos se demolhava o linho. O projeto insere-se num esforço de recuperação da cultura do linho da ilha e prevê a criação das estruturas necessárias ao processo, bem como a construção de um mural de azulejos que ilustre esta fase da maceração do linho.

A preservação do património cultural é outro tópico muito abordado.

A relação intergeracional como elemento fundamental para a preservação coletiva foi o ponto de partida para o projeto “Olhar o Corvo”, que pretende realizar um documentário sobre “contos, tradições e saberes da ilha”, que serão recolhidos durante encontros entre idosos e crianças do ensino básico da ilha.

Os saberes dos anciãos são também o mote da proposta “Terra Comum/Memórias da Terra”, para criação, na ilha das Flores, de “uma plataforma humana que estabelece a ligação harmoniosa entre a Terra e as suas gentes, o seu passado e o agora, potencializando ambos”, através da ligação entre o conhecimento popular e o conhecimento moderno, criando práticas de agricultura sustentável.

A contribuição de todos é essencial para a sustentabilidade do mar açoriano e é neste sentido que a iniciativa “Há mar e mar, há muito por limpar” sugere a criação e colocação de kits de limpeza voluntária nas quatro baías da ilha de Santa Maria – São Lourenço, Maia, Praia Formosa e Anjos.

As votações estão abertas até 30 de setembro e as propostas vencedoras serão anunciadas em outubro.



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