Transformar catástrofe natural em cartaz turístico exclusivo


 

Rui Leite Melo   Regional   26 de Set de 2007, 16:48

As presentes comemorações são um ponto de partida “para fazer renascer o vulcão, desta feita não com um sentimento de catástrofe mas sim como uma mais-valia económica e promocional para os Açores”. A frase é de João Castro, presidente da Câmara Municipal da Horta e membro da Comissão de Honra das Comemorações, que acredita ter chegado o momento de se começar a olhar o Vulcão “com um sentimento de mais-valia, com um sentido económico e até mesmo de saudade”, diz, salientando estar-se no momento exacto para se capitalizar todos os objectivos que se pretendem com as comemorações do 50º aniversário da erupção.
Para o autarca, o entusiasmo é bastante e admite não ter quaisquer dúvidas que as comemorações “já ultrapassaram claramente a nossa capacidade de controlar, pois a curiosidade despoletada pelo vulcão já tem uma dimensão extraordinária, diz, referindo o crescente envolvimento do processo de pessoas emigradas e ligadas aos meios científicos e ao próprio turismo.
O optimismo quanto ao crescimento da procura turística sustenta-se no facto do Vulcão dos Capelinhos ser um dos poucos do género na Europa e, portanto, de interesse científico, bem como ser de fácil acesso ao turista comum. Face a isto, é já uma preocupação da autarquia a ampliação e melhoria de condições de acolhimento aos visitantes esperados no futuro.
“Há já uma resposta que diria razoável, mas a procura que pensámos que estes eventos e estas comemorações implicarão irão obviamente colocar-nos o desafio de melhorarmos as infra-estruturas, as acessibilidades e as condições de recepção”. Entre tais empreendimentos, destaca o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos que deverá ser inaugurado aquando do encerramento das comemorações.
João Castro não justifica a grandeza que envolve as presentes comemorações com eventuais proveitos económicos futuros. De acordo com o edil, “o Vulcão dos Capelinhos começou por ser uma grande catástrofe que potenciou a última grande vaga de emigração açoriana e agora, juntámos condimentos e tentámos fazer com que o Vulcão dos Capelinhos funcione como um êxodo ao contrário, ou seja, aquilo que serviu de alguma forma para esvaziar e alterar a nossa demografia até ao dia de hoje tal como nós a conhecemos, possa agora ser transformado em ex-libris pela característica da paisagem, pelo valor científico e pela questão sentimental de todos aqueles que tiveram de abandonar a sua terra e que agora podem encontrar no vulcão um pretexto para voltar, para reencontrar as suas raízes e para se reencontrarem com a sua terra”, conclui.
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