Trabalhadores portugueses alvos de pressão psicológica


 

Lusa/AO online   Regional   7 de Nov de 2013, 16:35

O Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores (SABCES) afirmou hoje que alguns trabalhadores portugueses na Base das Lajes estão a ser alvo de pressão psicológica.

"Os trabalhadores portugueses estão diminuídos psicológica e emocionalmente, com o cenário de um tão significativo número de despedimentos que condiciona e fragiliza os mesmos", salientou, em conferência de imprensa, Vítor Silva, dirigente do SABCES.

Segundo Vítor Silva, ao sindicato já chegaram várias denúncias de maus tratos por parte da chefia americana do BX, a cantina da Base das Lajes, a trabalhadores com 20, 30 ou mais anos de serviço. O sindicalista falou em "pressões diárias sobre os trabalhadores", salientando que a chefia norte-americana "brinca" com a situação de fragilidade em que os funcionários portugueses se encontram, por via da anunciada redução do efetivo militar norte-americano.

"Quando as pessoas os abordam devido às suas férias, é lhes dito que não precisam de ter férias agora, porque vão ter muito tempo no futuro para terem férias", exemplificou.

Segundo Vítor Silva, os trabalhadores podem abdicar dos seus direitos com medo de perderem o emprego, tendo em conta que ainda não está definido quem será despedido com o processo de redução do efetivo militar norte-americano.

"Este é um comportamento vergonhoso, que repudiamos, porque atinge a dignidade humana dos profissionais portugueses, num momento dramático das suas vidas", salientou.

O sindicalista apelou aos comandantes da Base das Lajes para que ponham termo a esta situação "de imediato", salientando que os trabalhadores correm o risco de ver este comportamento alargado a outras secções da Base.

Vítor Silva anunciou ainda que vai informar o presidente do Governo Regional dos Açores sobre esta situação.

O dirigente do SABCES voltou a lamentar que os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa não tenham respondido aos pedidos de reunião do sindicato, nos últimos dois anos, salientando que se a redução prevista avançar constituirá "uma tragédia social para os trabalhadores e respetivas famílias".

Vítor Silva acusou o Estado português de ter assumido uma posição de "subserviência" em relação ao Estados Unidos, lembrando que os norte-americanos "já estão a tomar medidas efetivas com vista à redução do seu contingente", reduzindo as comissões de serviços dos militares a um ano, sem acompanhamento de familiares, e diminuindo as encomendas e os abastecimentos.

No final do ano passado, a administração norte-americana anunciou a intenção de reduzir o efetivo ao mínimo, prevendo manter apenas 160 militares, sem famílias, o que levaria ao despedimento de cerca de três centenas de trabalhadores portugueses, a partir de outubro de 2014.

Na base portuguesa, além dos funcionários nacionais, existe um destacamento de americanos composto por militares e famílias que ali estão ao abrigo de um Acordo de Cooperação e Defesa assinado por Portugal e EUA em 1995, em que Portugal dá autorização aos americanos para utilizarem infraestruturas de apoio a operações militares e de tráfego militar.



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