Sociedade

"Sociedade não é só banca"

"Sociedade não é só banca"

 

Lusa/AOonline   Nacional   22 de Out de 2008, 12:12

O Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações defendeu hoje que a actual crise financeira não pode relegar para segundo plano as políticas sociais e o diálogo intercultural, advertindo que "a sociedade não é só a banca".
Jorge Sampaio, que discursou perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, disse estar ciente de que a actual crise financeira e económica dificulta esse diálogo e admitiu que se aproximam "tempos difíceis nesse domínio", tendo por isso apelado a que, a par das medidas que estão a ser tomadas para salvar os mercados financeiros, haja também um investimento nas políticas sociais.

    "Agravamentos da situação económica, já não digo só da financeira, trazem sempre consequências ao nível do emprego, da habitação, da saúde, e aqueles que estão mais necessitados pior ficam e essa é uma preocupação que devemos ter, para que as medidas que recuperam os sistemas financeiros não se esqueçam também da economia real e, sobretudo, das políticas sociais, que são indispensáveis como almofadas em tempos de ausência de meios", afirmou.

    Para Sampaio, há que "combinar a necessidade de encontrar outro quadro de referência internacional para a economia e as finanças", pois é essa a ilação "óbvia" que se extrai da actual crise, mas ao mesmo tempo não esquecer a necessidade de "governar com a diversidade cultural que vai ser o padrão nas próximas décadas".

    "Pode haver hoje uma prioridade, que é salvar o sistema tal ou salvar o sistema tal, mas a sociedade no seu conjunto não é só a banca, não é só os activos financeiros, é a sociedade em geral, é o emprego, é a educação, é a não-discriminação. E as sociedades não mudam só porque muda a titularidade de um banco", declarou.

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