China

Sobe para 105 número de mortos em explosão de gás em mina de carvão


 

Lusa/Ao online   Internacional   7 de Dez de 2007, 07:48

O número de mortes na explosão de uma mina de carvão no nordeste da China na quinta-feira subiu já para 105, com poucas possibilidades de se encontrarem sobreviventes, segundo um novo balanço que a imprensa estatal chinesa hoje publica.
As equipas de salvamento encontram mais 26 corpos durante as últimas horas, depois de terem antes encontrado 79 cadáveres numa mina de carvão na província de Shanxi, o centro de produção de carvão da China, onde ocorreu o acidente, refere a agência noticiosa oficial Nova China.

    Os números da tragédia de quinta-feira não param de subir e a indignação perante os erros que conduziram ao acidente também é cada vez maior.

    Quando aconteceu a explosão, pelo menos 120 pessoas encontravam-se a trabalhar no interior da mina, mas a Administração Estatal de Segurança no Trabalho desconhece o número de desaparecidos.

    "Ainda não sabemos o número exacto de trabalhadores que podem estar presos na mina. Estamos a tentar clarificar esta situação", disse à imprensa An Yuanjie, porta-voz do organismo.

    Yuanjie admite que será difícil encontrar mais sobreviventes e afirmou que "as possibilidades de alguém sobreviver são muito reduzidas, até porque se trata de uma explosão de gás."

    "Devíamos retirar as lições desta catástrofe quanto à interdição das actividades mineiras ilegais, do número excessivo de trabalhadores e quanto à obrigação de relatar imediatamente os acidentes", declarou Li Yizhong, responsável máximo da Administração Estatal de Segurança Mineira, no dia do acidente.

    A imprensa estatal chinesa afirmou que a administração da mina foi a responsável pelo acidente ao permitir os trabalhos de exploração numa zona não autorizada da mina, na tentativa de aumentar o volume de carvão além do limite permitido pela sua licença.

    Além destes erros, segundo a Nova China, a administração só participou o acidente às autoridades seis horas depois da ocorrência porque pretendia conduzir as operações de resgate no local, enviando pessoas não qualificadas para tentar salvar os trabalhadores.

    A decisão dos administradores da mina atrasou as diligências para o salvamento de sobreviventes e aumentou o número de mortes, afirmaram as autoridades de resgate oficiais, segundo a agência chinesa.

    A administração da mina "enviou equipas de resgate para o local do acidente que não eram equipas profissionais de salvamento, o que piorou a situação", referiu An.

    A polícia já prendeu o chefe da mina e o seu representante legal, afirmou a agência Nova China.

    Esta mina, na cidade de Linfen, começou a ser explorada em 1988, recebeu obras de melhoramento e ampliação no ano 2000 e tem uma capacidade de produção de 210 mil toneladas de carvão, segundo a Nova China.

    As minas chinesas são as mais mortíferas do Mundo e só nos primeiros sete meses do ano, segundo dados oficiais, morreram nas explorações de carvão duas mil pessoas, com a média anual a chegar aos cinco mil mortos.

    Só em 2006 morreram 4.700 mineiros em acidentes de trabalho, segundo dados oficiais, mas as organizações independentes dos direitos laborais calculam que o número de mortes nas minas chinesas ronda os 20 mil por ano, uma vez que muitos acidentes nunca são conhecidos do público.

    O Inverno é o período mais perigoso nas minas chinesas, quando estas funcionam de acordo com a sua capacidade máxima para alimentar as necessidades energéticas da economia chinesa. O carvão assegura cerca de 73 por cento do consumo energético da China.

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