Sindicatos criticam governo açoriano por “simular diálogo” na venda da SATA Handling

Os sindicatos representativos dos trabalhadores da SATA Handling acusaram o Governo dos Açores de “simulação de diálogo” e criticaram o caderno de encargos da privatização da empresa, insistindo que o processo vai “destruir” o grupo



Num comunicado conjunto, as forças sindicais manifestaram discordância com o caderno de encargos aprovado para a alienação de 100% do ‘handling’ (serviço de assistência em terra) da SATA, visando a atuação do Governo Regional.

“Aquilo que esperávamos que constituísse um verdadeiro processo negocial, orientado para a defesa dos interesses dos trabalhadores, da empresa e da Região Autónoma dos Açores, revelou-se, afinal, uma mera tentativa de conferir aparência de diálogo a uma decisão previamente tomada”, lê-se na nota de imprensa.

Os sindicatos lembram que a privatização do ‘handling’ motivou, em abril, um pré-aviso de greve às horas extraordinárias, que foi desconvocada após o presidente do Governo Regional, o social-democrata José Manuel Bolieiro, ter anunciado a criação de um grupo de trabalho com a presença dos trabalhadores para acompanhar o processo.

As estruturas sindicais realçam que participaram no grupo de “forma séria, responsável e construtiva” com a apresentação de propostas “concretas, equilibradas e exequíveis”, que foram “quase integralmente rejeitadas” nas cinco reuniões de trabalho.

“Desde a primeira reunião, deixámos claro que não aceitaríamos que, à semelhança do que aconteceu durante a elaboração do Caderno de Encargos para a privatização da Azores Airlines/SATA Internacional, os contributos dos representantes dos trabalhadores fossem ignorados ou desconsiderados”.

Os sindicatos mostram-se “surpreendidos pela decisão do Governo Regional” em “avançar unilateralmente com a aprovação do Caderno de Encargos, dando por encerrado o trabalho desenvolvido”.

Os representantes dos trabalhadores lamentam que os contributos não tenham sido discutidos, apesar de o Governo Regional ter assegurado que as “preocupações e propostas apresentadas pelos sindicatos seriam devidamente consideradas na elaboração do caderno de encargos”.

“Na realidade, não existiu uma verdadeira negociação. Existiu apenas uma simulação de diálogo, repetindo-se uma prática que, infelizmente, se tem tornado habitual nos últimos anos”, criticam.

Os sindicatos consideram “esgotadas todas as possibilidades de entendimento pela via negocial” perante a “decisão unilateral do Governo Regional” e adiantam que estão a ser organizadas reuniões com os trabalhadores da SATA Handling para discutir formas de manifestar o “descontentamento”.

“Caberá agora aos trabalhadores decidir, de forma democrática, quais as medidas que consideram necessárias para manifestar o seu profundo descontentamento e a sua desilusão perante um processo que ameaça destruir a SATA, fragmentar os seus serviços e colocar em causa atividades imprescindíveis à coesão territorial e à mobilidade”, alertam.

O caderno de encargos da privatização da SATA Handling foi publicado na sexta-feira no ‘site’ do grupo de aviação, dando início ao processo de alienação total do capital social da empresa.

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