Açoriano Oriental
Sindicato quer que Governo dos Açores pressione Cofaco a abrir nova fábrica

O Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços (SABCES) dos Açores apelou ao Governo Regional para pressionar a Cofaco a abrir uma nova fábrica na ilha do Pico.

article.title

Foto: Eduardo Costa/Lusa
Autor: Lusa/AO Online

“É preciso pressionar mais a Cofaco para que, de facto, de uma vez por todas, avance efetivamente, do ponto de vista prático, com alguma coisa neste processo, porque até agora não temos nada feito”, adiantou o coordenador do SABCES/Açores.

Vítor Silva falava à margem de uma reunião com o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia dos Açores, Gui Menezes, em Angra do Heroísmo.

Em maio de 2018, a conserveira Cofaco, dona do atum Bom Petisco, encerrou a fábrica da ilha do Pico, despedindo 162 trabalhadores, com o compromisso de abrir uma nova unidade fabril até janeiro de 2020, com capacidade inicial para 100 trabalhadores e a possibilidade de aumentar o efetivo até 250.

No entanto, a reabilitação das instalações encerradas, orçada em 6,7 milhões de euros, ainda não arrancou.

Em fevereiro, o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia disse que a aprovação do projeto da nova fábrica estava dependente de um aumento do capital social da empresa PDM, Transformação e Comércio de Pescado, no valor de um milhão de euros, “por forma a cumprir a regulamentação dos apoios do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas”.

O prazo para o aumento do capital social já foi prorrogado cinco vezes e o último limite dado foi em 03 de julho.

À saída da reunião com o secretário regional, Vítor Silva disse que o executivo açoriano ainda acredita que será aberta uma nova fábrica da Cofaco na ilha do Pico, mas defendeu que o problema não se resolve apenas com “fé”.

“Se isto vier a ser efetivamente concretizado, da parte sindical consideramos que é positivo, porque vai criar um número de postos de trabalho significativos na ilha do Pico, agora de fé e de boa vontade o inferno está cheio. O que nós queremos é efetivamente medidas e aquilo que foi anunciado, quer pela Cofaco, quer pela tutela, é que, em janeiro de 2020, nós teríamos uma nova fábrica da Cofaco no Pico”, frisou.

O sindicalista pediu também a intervenção do executivo açoriano para que sensibilize o Governo da República para a urgência da implementação de majorações sociais na ilha do Pico.

Na sequência do despedimento coletivo na Cofaco, a Assembleia da República aprovou, por unanimidade, em julho de 2018, uma resolução proposta pelo PCP que previa a criação de um “regime especial e transitório de facilitação de acesso, majoração de valor e prolongamento de duração de apoios sociais aos trabalhadores em situação de desemprego” na ilha, mas a medida ainda não foi implementada.

“Alguns trabalhadores já vão perder este subsídio de desemprego neste mês de junho e, neste ano de 2019, cerca de 29 pessoas perdem o subsídio de desemprego”, alertou Vítor Silva.

O coordenador do SABCES/Açores reivindicou uma melhor articulação entre o Governo Regional e o Governo da República para que a medida seja implementada, alegando que a falta de majorações tem “impactos extremamente negativos” a nível económico e social na ilha do Pico, mas representa pouco para os cofres do Estado.

“Estamos aqui a falar em 50 euros por pessoa. Já nem são 162 pessoas, porque há um grupo de 10 ou 12 que já arranjaram trabalho, é menos do que isso. Estamos aqui a falar de uma questão com valores extremamente baixos que, do ponto de vista do impacto financeiro, significam nada. É mesmo só uma questão de boa vontade”, frisou.

Segundo Vítor Silva, o titular da pasta do Mar, Ciência e Tecnologia deu garantias de que iriam ser “feitas diligências para perceber o que se estava a passar”.

Gui Menezes não quis, no entanto, prestar declarações aos jornalistas, no final do encontro.


Regional Ver Mais
Cultura & Social Ver Mais
Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.