PSD

Silêncio dos últimos dois meses tem mais vantagens que inconvenientes


 

Lusa/AO online   Nacional   1 de Set de 2008, 18:47

O ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, no Porto, que o silêncio do PSD nos últimos dois meses "é mau, mas tem mais vantagens que inconvenientes".
"É mau porque houve ruído interno, alguns vice-presidentes falaram, mas tem também a vantagem de permitir a preparação do programa, a solidificação a equipa que tinha chegado à direcção apenas há três meses e vem dar mais força às intervenções que se vão seguir".

    O professor falava aos jornalistas à margem de uma conferência que proferiu sobre cidadania na escola de Verão de Física da Faculdade de Ciências do Porto, com alunos de Matemática e Física desta escola e de universidades de Angola, Cabo Verde, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e da Galiza (Espanha).

    "Continuo a apoiar Manuela Ferreira Leite, como tenho feito desde há quatro meses, e continuo a achar que é ela de longe dentro do PSD que tem as melhores condições para ganhar as eleições", afirmou.

    Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "o importante é que as metas que venham a ser fixadas pelo PSD já no dia 7 [no discurso da líder na universidade de Verão do PSD] sejam ambiciosas. O PSD tem que concorrer mesmo para ganhar e não só para tirar a maioria absoluta ao governo, não pode ficar atrás do governo em ambição".

    Para o professor, "ao fazer isso o partido embala, cria mobilização e unidade e passam para segundo plano os ruídos da oposição interna".

    "Se houver ruídos, como por exemplo a regionalização, que é uma questão pesada, que pode dividir o partido, essa questão deve ser morta rapidamente com um Conselho Nacional que defina a posição do partido, para não ser afectada a caminhada para a vitória", alertou.

    Marcelo Rebelo de Sousa considerou que "no momento em que Manuela Ferreira Leite arranque - pode ser já dia 7 ou em Outubro, no debate do Orçamento de Estado (OE), que é uma matéria que domina muito bem - e o PSD embale, os ruídos internos passam para segundo plano e serão banalizados, por muito que continuem, face à dinâmica eleitoral".

    O professor considera por isso que "tudo pesado, prós e contras", a questão do silêncio não representa, de facto, tempo perdido.

    "Considero que até ao Orçamento há um espaço de tempo em que a direcção do partido devia solidificar a equipa, preparar o programa, reforçar a mensagem e preservar a imagem. Para mim, os defeitos que pudesse ter o silêncio - e tinha alguns - são menores que as vantagens", defendeu.

    O professor acrescentou que "neste momento o PSD tem condições objectivas para ganhar as eleições".

    "Não as tinha há alguns meses atrás, mas a situação económica nacional e internacional tem-se complicado, a situação social também, a insegurança tem subido, o que mexe muito na cabeça das pessoas", considerou.

    Para o professor, estas circunstâncias levaram a que "a situação muito favorável de que desfrutava o governo de Sócrates tenha mudado radicalmente, mesmo dando de barato que o Governo vai usar a folga orçamental de que dispõe para fazer campanha eleitoral".

    Marcelo Rebelo de Sousa considerou ainda que a recente actuação do governo, em sucessivas operações das forças policiais em bairros problemáticos de Lisboa e do Porto, na sequência da onda de criminalidade que tem afectado o país, é "puro show off".

    "São actuações para a televisão que não têm nada a ver com a aquilo que aconteceu, é apenas uma manobra de diversão".

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