Em declarações à agência noticiosa espanhola EFE, o porta-voz do Ministério dos Refugiados e da Repatriação afegão, Abdul Mutalib Haqqani, indicou que esta situação vem agravar a crise de refugiados que o Afeganistão já enfrentava devido às deportações forçadas para o seu território.
O agravamento do conflito com Islamabad obrigou mais de 21.000 famílias a deslocarem-se e a abandonar as suas casas.
A ofensiva, que mantém combates ativos na Linha Durand – a fronteira que separa os territórios afegão e paquistanês -, intensificou-se hoje de madrugada com o bombardeamento de um hospital em Cabul, onde o Governo afegão liderado pelos talibãs denuncia um massacre com mais de 400 mortos.
As fronteiras refletem uma realidade comum de norte a sul: campos de organizações internacionais, com recursos cada vez mais escassos, montam tendas e distribuem material de emergência para uma população que regressa a um país sem meios para os acolher.
Na província oriental de Kunar, o chefe do Departamento local de Refugiados, Mohammad Ibrahim Khail, confirmou à EFE a deslocação de cerca de 7.500 famílias que sobrevivem sob lonas em parques e nas margens de rios.
“A nossa vida e os nossos meios de subsistência ficaram lá: viemos apenas com a roupa que trazíamos vestida”, relatou Gul Rahman Alkozai, deslocado do distrito de Sarkano, citado pela agência espanhola.
Outros, como Haleem Gul Safi, descrevem como os bombardeamentos os obrigaram a trocar as suas terras por uma tenda: “Vivemos desamparados e a vida torna-se cada dia mais difícil”.
A situação é igualmente alarmante no oeste. O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Arafat Jamal, alertou que cerca de 1.700 civis atravessam diariamente a fronteira por Islam Qala, fugindo da instabilidade no Irão, alvo de uma ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel desde 28 de fevereiro.
“Muitos regressam por medo, dizem que ali a vida já não é possível”, explicou à EFE o responsável fronteiriço Mawlawi Aslam.
Estima-se que 24.600 pessoas tenham regressado nas últimas semanas vítimas de um “triplo deslocamento”: famílias que já eram refugiadas, foram deslocadas por bombardeamentos em território iraniano e regressam agora a um país exausto.
“Saímos por causa da guerra e da pobreza, e a guerra perseguiu-nos até lá”, contou Mohammad Qadir Barahani, que regressou ao país com a família.
Preso entre as deportações e o agravamento da guerra nas suas fronteiras, o Afeganistão aproxima-se de um abismo humanitário, onde o Programa Alimentar Mundial (PAM) alerta que a sobrevivência de mais de 17 milhões de pessoas depende de uma ajuda internacional que tem ignorado a situação.
