“O projeto é uma instalação, a que eu chamo de instalação interpretativa porque tem elementos da coleção do Museu [Carlos Machado] e instalações de arte. O tema são os desastres naturais, as catástrofes e a capacidade de adaptação nos Açores”, começa por explicar à agência Lusa o artista.
A exposição parte de seis acidentes naturais da história dos Açores, do terramoto em Vila Franca do Campo, em 1522, até ao sismo de 1980 que destruiu Angra do Heroísmo, para abordar a forma como as catástrofes “moldam as relações entre o ser humano e o ambiente”.
“Escolhi diferentes peças do museu que dialogam com estes desastres em específico e as suas consequências e criei peças artísticas para interpretar esses temas com ênfase no ambiente e as conexões entre os Açores e o mundo”, detalhou.
Champ Turner revela ter procurado integrar elementos das várias coleções do Museu Carlos Machado, com peças de etnografia, arte sacra, arqueologia ou da coleção de história natural, que o “fascinou” por ter “a história da ciência concentrada num só lugar”.
“É interessante perceber como é que as condições específicas de cada tempo histórico influenciam a forma como as pessoas conseguiram responder. Os desastres são como um ponto de entrada para compreender a relação das pessoas com o ambiente, a dependência em relação à terra e a forma como isso foi testado por essas catástrofes”, vincou.
O artista americano teve contacto com a história dos Açores quando estudava na Universidade de Brown, em Providence (Rhode Island), onde existe uma grande comunidade açoriana.
Depois de vir a Ponta Delgada pela primeira vez em 2022, numa visita de estudo da Escola de Design de Rhode Island, começou a “ficar interessado na língua e nos estudos portugueses” e aprofundou a ligação com o arquipélago.
“Abriu-me os olhos para este espaço como um lugar único no mundo. Comecei a aprender português. Foi isso que me fez agora querer voltar. Não tenho ligações familiares nos Açores. Cresci no Texas. Foi ao ir para universidade em Providence que tomei consciência da história e da comunidade portuguesa”.
A primeira exposição de Champ Turner em Portugal conta com apoio do Programa Fulbright (programa de bolsas de estudo financiado pelo governo americano) e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).
A
exposição “DAS CINZAS — Catástrofe e adaptação nos Açores” ficará
patente até junho.
