A Associação para a Promoção e Proteção Ambiental dos Açores (APPAA)
denuncia a “dualidade de critérios” na proteção de zonas naturais
classificadas na região, criticando a reabertura do Ilhéu de Vila Franca
do Campo, em São Miguel, como zona balnear, enquanto o acesso ao Ilhéu
da Praia, na Graciosa, fica sujeito a regras muito mais restritivas.
Em
comunicado divulgado a propósito do Dia Mundial da Terra, que se
assinala hoje, 22 de abril, a associação considera “inaceitável” que
haja “pressão sobre a tutela do Ambiente para facilitar ouso de áreas
naturais classificadas, não adotando critérios semelhantes em áreas com
idêntica necessidade depreservação”.
Segundo a APPAA, no mesmo dia, foram aprovados o regulamento de acesso ao Ilhéu da Praia, que limita as visitas a grupos reduzidos, acompanhados por um Vigilante da Natureza e confinados a um trilho marcado, e a lista que inclui a reabertura do Ilhéu de Vila Franca como zona balnear.
O Ilhéu de Vila Franca do Campo é uma Reserva Natural Regional desde 1983, classificado como Área Protegida de Proteção Integral e integrado no Parque Natural da Ilha de São Miguel desde 2008. É também um Geossítio do Açores Geoparque, com espécies nativas e endémicas de flora e fauna marinha.
A associação recorda que, nos anos em que foram permitidos banhos no ilhéu, “a qualidade da água no interior foi considerada má”, tendo passado a “satisfatória” no ano em que os banhos foram interditos. A APPAA acrescenta ainda que o ilhéu “não tem, nem deve ter, as instalações ou os equipamentos obrigatórios numa zona balnear” e que não dispõe de acesso rápido a meios de socorro.
A APPAA defende ainda que o município de Vila Franca do Campo tem condições para aumentar o número de praias com classificação de zona balnear, de quatro para dez , “algumas das quais sem pressão urbanística e com qualidade de água excelente”, dispensando assim a utilização do ilhéu para esse fim.
A associação apela a que seja revisto o regulamento de visitação do Ilhéu de Vila Franca, dando prioridade à defesa das suas características naturais, e promovendo o seu uso controlado e sustentável.
“Sendo a
“Natureza intocada” um motivo de atração dos visitantes, essa é mais uma
boa razão para a sua preservação”, afina. lembrando que o mesmo já foi
feito com a Caldeira do Faial e a Montanha do Pico.
