Dia Mundial da Poupança

Redução da taxa de poupança limita investimento

Redução da taxa de poupança limita investimento

 

Lusa/AOonline   Economia   31 de Out de 2008, 10:13

A taxa de poupança tem vindo a baixar em Portugal, um cenário que pode dificultar o investimento futuro e limitar o crescimento económico, segundo alguns especialistas ouvidos pela Lusa, a propósito do Dia Mundial da Poupança que se comemora esta sexta-feira.
   João Sousa, da Deco Proteste, nota que a taxa de poupança das famílias tem "baixado bastante" em Portugal porque os portugueses consomem mais e poupam menos, tendo aumentado o seu endividamento. "A poupança é abdicar de consumo agora para poder consumir no futuro", defende o mesmo especialista da Deco.

    Os dados do Banco de Portugal mostram que a taxa de poupança das famílias baixou de 9,2 para 7,9 por cento do rendimento disponível, entre 2005 e 2007, encontrando-se agora em mínimos de pelo menos 13 anos (dados só disponíveis até 1994).

    O endividamento externo português, um sinal da ausência de poupança do conjunto da economia (particulares, empresas e administração pública), tem vindo a subir também nos últimos anos, encontrando-se já acima dos 10 por cento da riqueza produzida. Para 2009, o FMI prevê que esse valor suba para os 12 por cento do PIB.

    O agravamento continuado do défice externo é uma "atrofia para o crescimento económico", referiu João Sousa da Deco, notando que em Portugal "tem havido poucos incentivos à poupança".

    Em momentos como o actual, de euforia e volatilidade nos mercados, a Deco aconselha os aforradores a darem "primazia à segurança e não apenas ao rendimento", desincentivando activos mais arriscados.

    Na segunda-feira, o economista José Silva Lopes alertou para o problema da falta de poupança do país, num debate organizado pelo Fórum para a Competitividade.

    "Vamos ser obrigados a equilibrar as contas externas", avisou o economista, e, nessa altura, "vamos ter uma crise grave, muito mais grave do que aquela que temos agora".

    Um país não pode continuadamente investir mais do que poupa, pelo que nalgum momento do tempo Portugal terá que inverter essa tendência, avisou.

    Do lado das empresas, os dados do Banco de Portugal mostram que as necessidades de financiamento se têm agravado, tendo passado de 5,9 por cento do PIB, em 2005, para 8,8 por cento em 2007, revelando que também as empresas têm poupado pouco.

    "Falar hoje em poupança para empresas é falar em auto-financiamento", disse à Lusa fonte oficial da Associação Empresarial de Portugal, numa altura em que os custos dos empréstimos têm vindo a subir e em que as empresas se debatem com mais pressões do lado dos custos, com o forte ambiente concorrencial.

    Ao nível do Estado, as necessidades de financiamento melhoraram (o défice passou de 6,1 para 2,7 por cento do PIB entre 2005 e 2007), mas as administrações públicas continuam a gastar mais do que poupam.

   

   
Taxa de Poupança dos particulares portugueses

2007 7,9

2006 8,4

2005 9,2

2004 10,2

2003 12,0

2002 12,0

2001 12,2

2000 8,8

1999 8,2

1998 9,7

1997 9,7

1996 9,4

1995 9,7



Fonte: Banco de Portugal, relatórios anuais.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.