Rap e Constituição é possível: jovens reinventam 25 de Abril

Em colaboração com a Associação PLUGG, jovens transformaram a Constituição em arte e reforçaram a importância de uma cidadania ativa nas comemorações do 25 de Abril, nas Portas da Cidade.



O sol apareceu para assinalar os 52 anos da Revolução de 25 de Abril, em Ponta Delgada, onde as Portas da Cidade foram palco de muitas vozes que celebram a liberdade e que não deixam esquecer as conquistas de Abril. Várias foram as palavras de ordem, bem como as canções. Mas a festa da democracia ganhou ontem um novo fôlego com a participação ativa de vários jovens que trouxeram criatividade e novas formas de expressão à Constituição.

Um dos momentos protagonizados pelos mais novos foi a Comunidade Constituinte, onde jovens, em colaboração com a Associação PLUGG, transformaram artigos da Constituição em rap, lírica e beatbox. Para criar esta apresentação, eles foram obrigados a abrir o documento, interpretá-lo e depois dar-lhe voz própria.

Dryelle Andrade, da Associação PLUGG e professora de História, explicou que o objetivo era que os jovens criassem algo a partir da leitura da Constituição, escolheram os artigos que gostaram mais para que servissem de base para a criação das letras, poesia e até de um manifesto.

Houve também música com a DJ MOLINA, de 16 anos, que apresentou um set inspirado nas sonoridades de países como Cabo Verde, Angola e Moçambique e, claro, de Portugal. Para a jovem, celebrar Abril é também recordar as ligações históricas e dar espaço às diferentes raízes culturais. Além da homenagem às antigas colónias, quis também incluir a memória do avô, um militar que esteve envolvido na revolução.

Enquanto os jovens assumiam o palco, ouvia-se no público comentários sobre o que estava a acontecer: “Que espetáculo, que bom” e ainda “isto agora deu-me esperança”.
A participação dos jovens foi muito bem recebida pelo público, foi vista com satisfação. Para Iva Matos é importante dar voz aos mais novos num contexto marcado por muita desinformação, populismo e demagogia. Na sua perspetiva, ouvir os jovens traz novas formas de ver e afirmar a verdade.

Também Joana Borges Coutinho, da Associação Promotora das Comemorações do 25 de Abril em Ponta Delgada, considera que envolver as novas gerações na associação e na celebração dos valores de Abril é um caminho que deve ser seguido. Uma vez que, para si, é essencial promover o diálogo entre diferentes idades e realidades, como a de quem cresceu sempre em liberdade e como a de quem um dia já viveu sob uma ditadura.

Dryelle Andrade lembrou que a política está presente em tudo, no que se consome, no que se ouve, nas decisões do dia a dia e que, por isso, aproximar os jovens da política é muito importante. Além disso, sublinhou ainda que são estes jovens que irão viver mais tempo sob as leis atuais e, possivelmente, até assumir papéis de decisão no futuro.

Por isso, conhecer a forma como funciona o Estado, o impacto da Constituição, que assinala este ano 50 anos, e as especificidades de viver numa região autónoma como é o caso dos Açores, é fundamental para formar cidadãos mais conscientes e capazes de intervir: “Eu acho que faz com que enriqueça mais os jovens, em relação a ser um jovem politizado, lutar também pelos seus direitos e fazer os seus deveres”.

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