“De Corpo Inteiro” patente no Núcleo de Santo André

As artistas Sofia de Medeiros, Nina Medeiros e Milagres Paz apresentam o resultado do projeto desenvolvido com a Seara de Trigo e a ACAPO



O Núcleo de Santo André, do Museu Carlos Machado, tem patente a exposição ‘De Corpo Inteiro’, que resulta de um projeto levado a cabo por Sofia de Medeiros, Milagres Paz e Nina Medeiros, envolvendo elementos de duas associações da ilha de São Miguel, nomeadamente a Associação Seara do trigo e a Associação de Cegos e Amblíopes dos Açores, no âmbito de Ponta Delgada Capital Portuguesa da Cultura.

‘De Corpo Inteiro’ é um projeto que explora o diálogo entre a linguagem da dança, através do movimento do corpo e, a das artes visuais, com o desenho como meio de expressão. Foi orientado por Milagres Paz, na dança; e Sofia de Medeiros e Nina Medeiros nas artes plásticas, durante dois meses. ‘De Corpo Inteiro’ contou com quatro sessões criativas com ambas as associações, culminando com a mostra que foi inaugurada ontem, um momento de partilha com o público de todo este processo.

As três artistas desenvolveram várias atividades, “na vertical, na horizontal, com o papel, com o suporte, tendo sempre a base e o estímulo da música, do som”, disse Sofia de Medeiros, acrescentando que a “Milagres fazia uma pré-preparação, em termos de movimento e mobilidade, também para eles terem mais autoestima e conhecimento do seu próprio corpo. Depois, associar a tinta, desde da expressão com tinta, caneta, canetas com cheiros, café, portanto, usar técnicas um bocadinho fora da caixa”.

Do lado dos elementos das associações, as artistas encontraram muita recetividade: “Havia um grupo que tinha um bocadinho mais de mobilidade do que outro, mas foram dois grupos que nos deram muito, até porque, este tipo de projeto é sempre um jogo de dar e receber”, afirmou, dando como exemplo a ACAPO, em que “a maioria não nasceu sem visão, eles ainda se lembravam da cor, são pessoas muito autónomas”. Com a Seara de Trigo foi semelhante, “embora eles tenham atividades ligadas ao movimento, mas o tipo de atividades que proporcionamos, associando o desenho e o movimento, nunca tinham feito. Correu muito bem, eles  gostaram muito e essa é a nossa intenção”, sublinhando, ainda que “quando fazemos estas atividades, é para se divertirem e tirarem o máximo proveito. Por isso, tivemos resultados muito interessantes, do ponto de vista criativo, e tivemos que fazer uma seleção dos trabalhos que estão na mostra”.

Nina Medeiros refere que a exposição foi delineada de acordo com as sessões. “No Convento de Santo André, o espetador percorre o Claustro, ao entrar vê-se os exercícios. Ou seja, pensei num percurso e documentei as sessões todas e o espetador percebe o tipo de exercício e como é que foi orientado. A exposição também tem uma linha condutora. Começa com um som, do risco, a simetria e depois a aguada, umas pinturas que fizeram com as mãos ou pés atados, e tem-se essa oportunidade de ver no vídeo como é que foi desenvolvido”.

A mostra, que pode ser visitada até dia 24 de maio, conta com um espaço “para poder haver sessões do serviço educativo com alguns públicos, escolas e outros, e poderão fazer alguns exercícios que foram desenvolvidos nas sessões”.

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