“As reuniões e manifestações em lugares públicos não podem prolongar-se para além da 00h30. Pelas 03h00 de hoje, dia 15, a PSP desencadeou uma operação policial, tendo solicitado aos manifestantes que cessassem o ruído e recolhessem as tendas, o que continuaram a não fazer”, lê-se no comunicado enviado pela PSP.
A PSP disse ter conhecimento de feridos entre os manifestantes, mas acrescenta que ainda não é “possível indicar o seu número”.
Relativamente aos factos descritos, a PSP asseverou que vai ser “elaborado o respetivo auto de notícia, a remeter ao Ministério Público, ao qual será junto o registo videográfico dos incidentes”.
A polícia acrescenta que “no decurso dos incidentes, um polícia ficou ferido e foi transportado a uma unidade hospitalar”.
A PSP não especificou, todavia, qual o foi a estrutura médica para onde foi levado o policial ferido, e se foi com ferimentos ligeiros ou ferimentos graves.
“A PSP reafirma o respeito pelo direito de reunião e de manifestação, consagrado na Constituição e na Lei, e recorda que o seu exercício deve decorrer dentro dos limites legais, designadamente quanto à comunicação prévia, ao horário e à utilização do espaço público. A PSP apela à colaboração dos organizadores e participantes, mantendo-se disponível para o diálogo prévio, reiterando o seu compromisso com a garantia do direito de reunião e de manifestação, em equilíbrio com o direito à liberdade e à segurança de todos os cidadãos, atuando sempre de acordo com os princípios da legalidade, da necessidade e da proporcionalidade”, lê-se no comunicado enviado à comunicação social.
Questionada pela Lusa sobre quantos manifestantes foram identificados ou detidos, fonte oficial da PSP do Porto adiantou que entre 150 e 200 pessoas estiveram presentes, sendo que "os promotores do evento foram identificados” e "não houve nenhuma detenção" durante a intervenção policial.
A mesma fonte referiu que, para além de um agente policial ferido, que foi transportado para uma unidade hospitalar, também há registo de uma "manifestante que foi encaminhada para uma unidade hospitalar”, tendo recebido tratamento no local pelos bombeiros voluntários.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto desde sábado, com uma acampada que ali começou nesse dia, denunciou uma carga policial esta madrugada que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
“Na madrugada desta quinta-feira, às 02h56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto”, referiu o movimento em comunicado hoje enviado.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter dito na quarta-feira que seria “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” na Praça D. João I”.
Na nota, o movimento “denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência”, considerando a carga “inaceitável” e pedindo responsabilidades.
