PS/Açores critica "fracassso" do Governo na privatização da Azores Airlines

O PS/Açores considerou que a decisão do júri da privatização da Azores Airlines confirma “ponto por ponto” os alertas do partido, desde o início deste processo, em 2023, ao “fracasso” do plano de reestruturação



O júri da privatização da Azores Airlines propôs na quarta-feira a rejeição da proposta do consórcio Atlantic Connect Group, a única admitida no concurso, por entender que não "salvaguarda os interesses" da SATA e da região.

Para o dirigente socialista Carlos Silva, o desfecho agora conhecido "é inseparável do fracasso do plano de reestruturação da SATA", atribuindo "responsabilidade política" e "direta" ao presidente do Governo, José Manuel Bolieiro, à secretária regional dos Transportes, Berta Cabral, e ao secretário regional das Finanças, Duarte Freitas.

“Durante cinco anos esconderam a verdadeira situação da empresa, conduziram um processo instável e recusaram sempre assumir responsabilidades políticas pelos resultados desastrosos que provocaram no Grupo SATA”, criticou o deputado do PS/Açores, citado numa nota divulgada pelo partido.

Carlos Silva recorda que o PS/Açores sempre afirmou que este processo “não servia os açorianos”, alegando que "não garante segurança jurídica, por não acautelar o interesse regional".

Segundo o socialista, o processo também não assegura "a proteção" dos postos de trabalho, "nem a salvaguarda das rotas estratégicas para o continente e para a diáspora".

“Desde o início alertámos que o caderno de encargos não defendia a região, não protegia os trabalhadores e não assegurava a mobilidade dos açorianos”, apontou.

Na nota, o PS sublinha que "a referência expressa do júri ao risco de a operação poder vir a ser qualificada como auxílio de Estado contradiz categoricamente a posição que o Governo Regional tem vindo a assumir sobre esta matéria".

“Durante todo este processo, o Governo negou esse risco de forma sistemática, chegou mesmo a afirmar que dispunha de pareceres jurídicos que o afastavam e, afinal, o próprio júri reconhece agora que essa possibilidade existe, com potenciais consequências jurídicas graves para a região”, referiu ainda Carlos Silva.

Para o dirigente socialista, o processo foi conduzido de forma "amadora e pouco transparente” e o próprio caderno "nunca salvaguardou o interesse regional ao nível da mobilidade, o impacto nas contas públicas, nem a manutenção dos postos de trabalho".

Carlos Silva criticou ainda o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), alegando que o executivo açoriano "andou a arrastar este processo de privatização durante mais de dois anos, sabendo das fragilidades que o minavam", levando ao acumular de "prejuízos na ordem dos 150 milhões de euros só nesse período" e com uma companhia "numa situação operacional e financeira muito difícil”.

Para o PS/Açores, este desfecho demonstra que “a ânsia de privatizar a qualquer custo" e "são os açorianos" a pagar "essa fatura".

O PS defende que este processo deve agora ser "reavaliado com rigor, transparência e responsabilidade", com foco na defesa dos trabalhadores, da mobilidade aérea e dos recursos públicos da região.

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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)