PS/Açores acusa governos regional e central de "brincarem" com trabalhadores da Base das Lajes

O líder da bancada parlamentar do PS nos Açores, Berto Messias, acusou os governos da região e da República de “brincar com os trabalhadores da Base das Lajes”, que ainda não receberam os salários em atraso



“Eu acho que o Governo da República e o Governo Regional estão a brincar com os trabalhadores, estão a gerar expectativas sobre uma coisa muito séria, que é a vida das pessoas, o seu ordenado, e em boa verdade continua sem acontecer nada”, afirmou o deputado socialista.

Berto Messias falava aos jornalistas à saída de uma reunião com o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comércio, Escritórios, Turismo e Transportes (SITACEHTT) dos Açores, em Angra do Heroísmo.

Os salários na Base das Lajes, na ilha Terceira, são pagos quinzenalmente. A quinzena de 17 de outubro foi paga com cortes e a de 27 de outubro não foi paga.

Em causa está a introdução de uma suspensão temporária e não remunerada aplicável a funcionários públicos norte-americanos, devido à paralisação parcial da administração norte-americana por não ter sido aprovado o orçamento federal dos Estados Unidos.

O vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima, disse que o Governo da República estava “empenhado em encontrar uma solução para resolver esse assunto”, mas acrescentou que, se o executivo de Luís Montenegro não o fizesse, o executivo açoriano adiantaria os salários em atraso.

“Julgo que para o final da semana, início da semana que vem, teremos uma solução mais consistente sobre essa matéria”, avançou Artur Lima.

Na quinta-feira, depois de ter participado numa reunião do Conselho de Ministros, o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, disse, em declarações à Antena 1 e à RTP/Açores, que o Governo se ia empenhar “em encontrar uma solução que resolva o problema de liquidez dos trabalhadores, desde logo em contactos com a banca”.

“Ouvimos um anúncio, no mínimo estranho, do senhor presidente do Governo a dizer que está convicto de que as coisas se vão resolver e que até têm sido feitos contactos com a banca, sem explicar ou concretizar em que medida é que esta referência à ajuda dos bancos é feita”, criticou Berto Messias.

O deputado socialista salientou que, apesar dos anúncios, os trabalhadores continuam sem receber o salário e sem saber quando o irão receber.

“Já tivemos contactos com vários trabalhadores da Base das Lajes e não aconteceu nada. Lamento dizê-lo, mas quer o Governo da República, quer o Governo Regional – e estamos a falar das duas maiores figuras do Governo Regional, o presidente e o vice-presidente, – parece que estão a brincar, porque ninguém se entende. Se diz que o Governo da República vai pagar, porque é que não paga?”, questionou.

Para o líder da bancada parlamentar socialista, devia ter sido encontrada uma solução na reunião do Conselho de Ministros.

“Não deveria sair desse Conselho de Ministros uma referência clara a isso? Eu, se fosse presidente do Governo, não saía daquela sala sem ter essa garantia, porque senão a coerência de discurso entre o vice-presidente, o presidente e o Governo da República não existe”, apontou.

Berto Messias criticou ainda o silêncio do Governo da República, que desde que a situação é conhecida, há três semanas, emitiu apenas um comunicado com três parágrafos, a dizer que estava a avaliar soluções face ao quadro normativo nacional vigente.

“Que o Governo Regional se queira chegar à frente e assumir essa responsabilidade, enfim, é um direito que lhe assiste, agora não bate a bota com a perdigota. Há aqui muitos anúncios e poucas concretizações. E o Governo da República continua calado sobre esse assunto, sem dizer de forma clara aquilo que vai ou não fazer”, vincou.

“A Espanha chegou-se à frente, resolveu, a Alemanha chegou-se à frente, resolveu. E nós andamos aqui entre o Governo Regional e o Governo da República com trocas de cartas e anúncios que depois não se concretizam em nada”, acrescentou.

O deputado socialista lembrou que noutras situações semelhantes, em que os Estados Unidos não aprovaram o seu orçamento, os trabalhadores portugueses da Base das Lajes continuaram a receber e alertou para a possibilidade de esta situação se repetir no futuro.

“Desta vez impactou, porque quem está hoje na Casa Branca não tem grandes preocupações em salvaguardar estas questões. A forma como nós agirmos agora, a firmeza com que agirmos agora sobre esta matéria, vai ser determinante para precavermos situações iguais no futuro”, vincou.

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Promovido por três socialistas, Congresso da Autonomia pretende ser um espaço aberto à sociedade civil onde o balanço dos últimos 50 anos não se fique pelas conquistas, mas também pelo que está ainda por concretizar. Realiza-se a 23 de maio, em Ponta Delgada