Projeto procura nos Açores soluções para melhorar formação profissional nas ilhas da Europa

Os processos de orientação para a formação profissional devem ser consolidados e é preciso criar alternativas de treino rápido para mudança de área de emprego, segundo o projeto europeu OVER-SEES, que está reunido esta semana nos Açores



Iniciado em março de 2025, o projeto OVER-SEES envolve quatro regiões da União Europeia e pretende criar um Centro Vocacional de Excelência para as ilhas da Europa, adaptando a oferta de formação às necessidades do mercado.

Os Açores são uma das regiões que integram este projeto, junto com a Sicília, em Itália, a região oeste da Irlanda e as ilhas do Egeu, na Grécia.

O projeto só termina em 2029, mas entre as primeiras conclusões está a necessidade de consolidar os processos de orientação para a formação profissional.

“Os jovens conhecem poucas oportunidades que as escolas oferecem, conhecem poucas áreas que nós temos abordado neste projeto, e, portanto, este aspeto mais ligado aos próprios setores e à orientação é fundamental”, afirmou à agência Lusa o psicólogo Francisco Simões, investigador do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), entidade que coordena o projeto.

Outra das necessidades já identificadas é a criação de alternativas de treino rápido para uma mudança de área de emprego.

“Os jovens muitas das vezes fazem formação e podem ter alguma dificuldade em encontrar emprego no setor em que fizeram formação. Então, às vezes, as formações de curta duração, muito orientadas para um mercado de trabalho, são uma boa forma de encontrar uma alternativa”, explicou Francisco Simões.

Até sexta-feira, o Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira (Terinov), em Angra do Heroísmo, nos Açores, acolhe o primeiro ‘workshop’ transnacional do OVER-SEES, depois de se terem realizado 48 ‘workshops’ nacionais (12 em cada país do consórcio).

Cerca de 20 participantes dos quatro países, que representam entidades formadoras, autoridades regionais e especialistas dos diferentes setores abrangidos, vão procurar aspetos comuns entre as diferentes regiões e organizar essa informação, para depois começarem a desenhar os programas, que serão implementados em 2027.

“A ideia é, depois de cruzar toda esta informação, no último semestre deste ano, trabalhar o desenvolvimento dos programas para depois começar o processo de recrutamento e testagem dos programas. Não é um projeto apenas de instalação de programas, mas um projeto de testagem para que depois estes programas fiquem acessíveis às escolas de formação profissional”, adiantou o investigador do ISCTE.

Numa primeira fase, as quatro regiões apresentaram “resultados díspares”, por isso é preciso agora encontrar os “aspetos comuns”.

“O que ainda precisamos perceber é, no fundo, o que há em comum entre estes espaços insulares, para termos um modelo comum também, que permita alguma circulação das pessoas e alguma formação comum entre as diferentes regiões”, revelou Francisco Simões.

O projeto desenvolve soluções em quatro áreas, uma por cada região: agricultura sustentável, turismo rural, energias renováveis e digitalização.

“Nós selecionamos especificamente estas áreas, pois são áreas que fazem parte da chamada estratégia de especialização inteligente de cada região”, justificou o psicólogo.

Em 2027, começam a ser implementados quatro programas-piloto, um de orientação e três de formação.

“A ideia é ver de facto qual é o impacto que eles têm, ir melhorando sempre, para que depois, no final do projeto, em 2029, eles estejam disponíveis para serem utilizados pelas entidades formadoras”, avançou o investigador do ISCTE.

O projeto OVER-SEES tem um orçamento de cerca de 4 milhões de euros, financiado em 80% pelo programa Erasmus+.


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