"Não houve nenhuma iniciativa nossa de falar com a senhora jornalista. Terá tentado confirmar a existência de um processo", disse o procurador que liderou a investigação ao chefe de Governo entre 2005 e 2011, no julgamento, em Lisboa, da ação administrativa em que o ex-governante exige ser indemnizado em pelo menos 50 mil euros pelo Estado pela demora da Operação Marquês.
"Não houve nenhum adiantamento [de informação]. Não há possibilidade de ter tido qualquer horizonte daquilo que [a investigação] pretendia fazer", afirmou.
Rosário Teixeira deu a garantia ao ser confrontado em tribunal com o conteúdo do livro "O Tribunal dos Poderosos", do jornalista António José Vilela, no qual é referido que os contactos com a jornalista, que revelou informações em segredo de justiça, tinham existido.
O confronto foi requerido pelo mandatário de José Sócrates, Filipe Baptista, depois de, durante a manhã, o procurador ter testemunhado que não falara com qualquer jornalista antes da detenção do antigo primeiro-ministro.
A explicação não convenceu Filipe Baptista, que pediu a extração de uma certidão visando Rosário Teixeira por falsidade de testemunho, tendo a juíza Daniela Santos Costa remetido a decisão para momento oportuno.
O Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa começou hoje a julgar a ação que José Sócrates intentou contra o Estado português em 2017 e na qual exige ser indemnizado em pelo menos 50 mil euros, pela alegada violação pelo Ministério Público dos prazos para a conclusão do inquérito da Operação Marquês, comprometendo o direito do ex-governante a uma decisão judicial num prazo razoável.
Na ação administrativa está também em causa a violação do segredo de justiça durante a investigação.
O inquérito do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), no âmbito do qual José Sócrates chegou a estar preso preventivamente, foi aberto em julho de 2013 e a acusação foi deduzida em outubro de 2017.
Após uma longa fase de instrução e recursos nos tribunais superiores, o julgamento do antigo chefe de Governo socialista, de 68 anos, e outros 20 arguidos por corrupção e outros crimes começou em 03 de julho de 2025 no Tribunal Central Criminal de Lisboa, faltando ouvir dezenas de testemunhas.
