Procura de parques industriais é ainda lenta

Procura de parques industriais é ainda lenta

 

Rui Leite Melo   Regional   28 de Nov de 2008, 22:58

A expansão das zonas urbanas despertou para a necessidade da deslocalização das grandes indústrias e de alguns serviços para fora das áreas habitacionais. Maiores ou menores, os parques industriais têm proliferado um pouco por toda a ilha, mesmo se nem sempre com a esperada procura
A expansão do parque habitacional e o crescimento do tecido empresarial e de serviços levou à implementação, entre nós, do conceito de parque industrial. No entanto, na Região, a deslocalização para zonas industriais de empresas e serviços até então implementados nos grandes centros urbanos tem sido lenta e consideravelmente cadenciada, ao ponto de ter posto em causa a viabilidade de tais espaços, situação que agora aparenta estar ultrapassada. No entanto, o facto é que boa parte das ocupações dos parques industriais e similares é assegurada por novas empresas, sendo que muitas indústrias continuam a permanecer nas zonas urbanas, deixando no esquecimento muitos milhares de metros quadrados em determinados parques industriais.
Em São Miguel esta é uma realidade por demais evidente naquele que se pode considerar como um dos espaços pioneiros para a concentração de indústrias: o Parque Industrial da Ribeira Grande.
Construído no início da década de 80 e concebido à medida de algumas grandes indústrias que davam como certa a sua mudança para o novo espaço, o Parque Industrial da Ribeira Grande registou, durante os primeiros anos, uma fraca aceitação dos empresários, também em parte devido às acessibilidades. Sobrevivendo pela presença de uma meia dúzia de empresas, aquele parque industrial rejuvenesceria ao fim de duas décadas, graças a novas acessibilidades e a um renovado interesse camarário, em particular ao nível de infra-estruturas. Actualmente, aloja trinta pequenas e médias empresas, espalhadas por 45 lotes.
Tantos ou mais lotes aguardam o interesse dos empresários e a respectiva ocupação é hoje uma prioridade da autarquia responsável.
Se o primeiro parque industrial propriamente dito surgiu na Ribeira Grande, a verdade é que, por iniciativa privada, antes disso surgiram outros espaços destinados à concentração de indústrias e de serviços, quer fossem “ruas de armazéns” ou zonas industriais, como é o caso da Chã do Rego d’Água, na Lagoa, um espaço surgido em 1976 e que conheceu diversas fases de desenvolvimento e de crescimento ao longo dos anos. Actualmente, cerca de duas dezenas de empresas concentram ali a sua actividade. A Lagoa, talvez pela sua centralidade geográfica, é o concelho micaelense com maior número de espaços do género. Ali, em 2002 surge a zona industrial dos Portões Vermelhos, que hoje alberga aproximadamente quatro dezenas de empresas; em 2005, forma-se o complexo industrial da Estrada João Ramos, que junta em proximidade uma boa dezena de indústrias e serviços.
A par da zona industrial dos Valados, em Ponta Delgada, que por via de intervenção camarária ao nível de acessibilidades conheceu um novo impulso que a transformará rapidamente num parque industrial de referência, merece também destaque o Parque Industrial de Vila Franca do Campo. Surgido exactamente com o objectivo de relocalizar as empresas que se encontravam no centro da vila, propósito que se viria a revelar bastante bem sucedido, é desde há muito o centro empresarial do concelho. A construção e ocupação dos 46 lotes disponíveis superaria mesmo as expectativas dos promotores.
Mais recentemente, quer pela mão de entidades públicas, quer através da iniciativa privada, estão a surgir novos conceitos de parques industriais. São os parques empresariais ou “retail park”, que, face ao conceito inicial, apresentam outros atractivos, nomeadamente a possibilidade de ocupação imediata, isto por disponibilizarem todas as infra-estruturas e demais serviços de apoio. Dois destes parques, localizados nos arredores de Ponta Delgada, distam entre si poucos metros: o Azores Park, iniciativa da Câmara Municipal de Ponta Delgada, e o Pico d’Água Park, fruto da iniciativa do Grupo Marques. Com cerca de 116 mil metros quadrados de construção e um investimento de 60 milhões de euros, o condomínio Pico d’Água Park é denominado como Parque de Negócios com diversas possibilidades de utilização, desde áreas de negócios ligadas ao comércio, serviços, armazenagem e à pequena indústria. Quanto ao Azores Park, espaço da responsabilidade da Câmara Municipal de Ponta Delgada, este ocupa uma área de cerca de 258 ha de terreno, subdividida em oito unidades de execução, sendo que a primeira fase de desenvolvimento foi o denominado “retail park”. A este juntam-se outras sete unidades de execução, nomeadamente um edifício de exposições da FIA, parque de máquinas, zona de lazer e restauração,  indústria ligeira, zona de escritórios, um loteamento industrial e, por fim, zona habitacional.
Novos conceitos de espaço e de concentração de serviços que de uma vez por todas retirarão das zonas de habitação e de serviços as indústrias e algumas actividades económicas mais “desconfortáveis” quando inseridas nos centros urbanos.
Para que isso se concretize já nem as acessibilidades poderão servir de obstáculo. Apenas o incompreensível comodismo de alguns. É que os parques industriais ou empresariais continuam com muitas vagas e as cidades com muitas indústrias e oficinas...

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